- LAB salta 67% em 24 horas e atinge recorde de US$ 16,24
- ZachXBT estima que insiders controlam mais de 95% do float
- Próximo desbloqueio de tokens foi adiado para agosto de 2026
O token lab registrou alta de 67% em 24 horas e atingiu o recorde histórico de US$ 16,24 em 1º de junho. A escalada empurrou o valor de mercado para US$ 4,66 bilhões, mas a maior parte dos detentores não consegue realizar lucro.
No fim do pregão, o ativo recuou para US$ 14,51, com volume diário de US$ 223 milhões. A rotina de vesting prende investidores iniciais, equipe e participantes da venda pública. Críticos apontam vantagens claras para insiders.
Oferta baixa e liquidez fraca sustentam o rali
A oferta circulante do LAB está em torno de 312 milhões de tokens, ou cerca de 31% do teto de 1 bilhão. O restante atende alocações de fundadores, investidores privados, tesouraria e ecossistema, sujeitas a cliffs e liberações lineares.
Segundo dados do CoinGecko, a valorização chega a 240% em sete dias e 656% em 30 dias. O token agora ocupa a 25ª posição entre os maiores ativos por capitalização, com avaliação totalmente diluída próxima de US$ 14,9 bilhões.
Books rasos transformam qualquer venda relevante em movimento caro. Tentativas pontuais de saída de baleias já provocaram quedas de dois dígitos em janelas intradiárias. O padrão lembra outros casos de tokens de baixa flutuação que viveram euforias semelhantes antes de correções abruptas.
Holders sem saída e mudança de vesting
Participantes da venda pública, membros da equipe e early backers estão impedidos de mover seus saldos durante os períodos de cliff. A fundação por trás do projeto teria empurrado certos desbloqueios para mais adiante, prolongando o squeeze de oferta.
O investidor Simon Dedic relatou em publicação no X que insiders confirmaram alterações no cronograma de vesting. A próxima liberação relevante teria sido reagendada para agosto. Acordos paralelos com corretoras centralizadas envolveriam transferência de grandes volumes do token.
Reportagens citam tentativas de venda OTC com descontos próximos de 90%, condicionadas a novos períodos curtos de lock. Um trader resumiu a frustração, alocações travadas com milhões em lucro contábil, hedges fracassando e liquidações batendo na conta. As primeiras janelas de desbloqueio começariam entre julho e agosto.
Acusações de ZachXBT pesam sobre o rali
O investigador on-chain ZachXBT abriu uma apuração sobre o que chamou de distribuição opaca e mudanças unilaterais de vesting. Ele estima que insiders controlam mais de 95% do float via OTC, venda privada, airdrop e carteiras de equipe.
Segundo ele, há sinais de coordenação com market makers, empréstimos privados pouco transparentes e float real desconhecido por trás do salto até US$ 6 bilhões de FDV. Defensores do projeto rebatem citando uso da plataforma em BNB Chain, Solana e Ethereum, além de lançamento recente de app mobile e programa de recompensas. Argumentam que recompra e revenue sharing justificam a precificação.
Leitura para o investidor brasileiro
O caso ilustra um padrão que já preocupa reguladores, tokens com float baixíssimo listados em corretoras globais, comprados por brasileiros via apps internacionais, podem desabar quando o vesting libera oferta. Um estudo de 2024 apontou indícios de insider trading em mais da metade das estreias em exchanges após 2021.
No Brasil, a nova regulação do Banco Central mira justamente exigências de transparência para prestadores de serviços de ativos virtuais. Mas a fiscalização não alcança emissores estrangeiros, deixando o investidor local exposto ao risco de tokens com governança opaca.
A R$ 5,03 por dólar, o valor de mercado do LAB equivale a aproximadamente R$ 23,4 bilhões montante que depende de uma fatia ínfima do supply efetivamente negociável. Quando os desbloqueios de julho e agosto começarem a entrar no book, o teste virá. O recorde atual ou reflete demanda genuína ou marca um topo armado por escassez artificial. Casos passados, como vários listados em ciclos anteriores de altcoins, mostram que a segunda hipótese costuma prevalecer.