- Cartão Lava paga 3% em Bitcoin nos EUA e 1% no exterior
- Compras em Amazon, Apple e Netflix rendem 5% em BTC
- Usuários podem abastecer o cartão com USDC via rails da Visa
A fintech Lava colocou no mercado um cartão de crédito Visa que devolve Bitcoin em cada transação e aceita stablecoins como forma de recarga. O Lava Card é garantido por saldo em dólar do próprio usuário e tenta resolver um problema antigo, levar pagamentos com cripto ao varejo sem exigir mudança de comportamento de quem compra nem de quem vende.
A estrutura de recompensas é direta. Clientes baseados nos Estados Unidos recebem 3% de volta em BTC em qualquer compra, enquanto usuários internacionais ganham 1%. Na rede de comerciantes parceiros, alinhada ao ecossistema Bitcoin, o retorno sobe para 5%. Para marcar o lançamento, a empresa estendeu essa alíquota maior para gastos em Amazon, Apple e Netflix.
Não há anuidade, taxa de transação internacional nem spread sobre a cotação oficial da Visa. O cartão funciona em praticamente qualquer país e é aceito onde a bandeira opera, segundo informações repassadas pela companhia ao mercado.
Stablecoin como trilho de recarga
A aposta mais ousada do produto está no abastecimento via USDC. O usuário pode adicionar saldo por transferência bancária, depósito direto em folha ou enviando stablecoins diretamente para a Lava. O processamento segue os trilhos tradicionais da Visa, o que dispensa adaptação do lojista no checkout.
O movimento ecoa uma tendência maior. Em maio, a Mastercard passou a aceitar USDC, PYUSD e RLUSD para liquidar pagamentos com cartão, e bancos centrais começam a tratar o tema como prioridade. O próprio BCE alertou para o avanço dessas moedas digitais enquanto o Congresso americano tramita o CLARITY Act. Em volume, o setor já movimenta quase US$ 314 bilhões em capitalização.
O salto de adoção, porém, ainda esbarra no varejo. A maior parte do giro de USDC e USDT acontece em infraestrutura liquidação entre exchanges, remessas e pagamentos B2B e não no caixa do supermercado. Ao rotear stablecoin pela malha Visa, a Lava tenta encurtar essa distância sem depender de carteiras nativas no PDV.
Crédito com Bitcoin como garantia
Quem prefere não vender BTC pode financiar gastos por meio da Bitcoin Line of Credit (BLOC), linha lançada pela empresa em novembro de 2025. O produto permite tomar empréstimo contra o Bitcoin depositado como colateral, com loan-to-value de até 50% e juros a partir de 5%, sem prazo fixo nem parcelas obrigatórias.
A linha de crédito faz parte de uma estratégia maior. No mesmo período, a Lava anunciou captação de US$ 200 milhões entre rodada de venture capital e dívida, recursos voltados à expansão da plataforma de empréstimos lastreados em Bitcoin. Os detalhes constam no site oficial da empresa.
O que muda para quem usa cripto no Brasil
Para o público brasileiro, dois pontos importam. Primeiro, a ausência de IOF embutido no spread de câmbio, quem compra fora do país no cartão tradicional paga 3,38% de IOF mais o markup do emissor. Com o Lava Card seguindo a cotação oficial da Visa, sobra apenas o IOF cobrado pela Receita na fatura, sem camada extra do emissor.
Segundo, a recarga via USDC contorna a necessidade de converter cripto para reais antes de gastar. Hoje, o usuário brasileiro que quer transformar saldo em stablecoin em consumo precisa vender na exchange, transferir via Pix e pagar fatura três etapas com taxas e impostos em cada uma. O modelo da Lava colapsa isso em um único movimento.
Resta a régua regulatória. O Banco Central já exige auditoria independente de exchanges e estuda regras específicas para stablecoins em operações de varejo. Cartões emitidos no exterior com cashback em cripto, por enquanto, não têm enquadramento próprio na regulação local, e o tratamento tributário do recebimento em BTC segue a alíquota de ganho de capital sobre criptoativos, com isenção mensal de até R$ 35 mil em vendas.
O Bitcoin é negociado a US$ 65.800 nesta terça-feira, em queda de 2,7% nas últimas 24 horas, segundo dados de mercado.