- Três carteiras antigas movem 599,76 BTC equivalentes a US$ 37 milhões
- Endereço de 2014 com 165,5 BTC acumula valorização de 16.693%
- Moedas migraram para novos endereços sem sinal claro de venda
Três carteiras de Bitcoin criadas entre 2014 e 2017 voltaram à atividade na última sexta-feira (5) e movimentaram, juntas, 599,76 BTC avaliados em aproximadamente US$ 37,04 milhões. A movimentação ocorreu no mesmo dia em que o BTC tocou a mínima do ano de 2026, segundo levantamento publicado pelo btcparser.com.
A primeira transferência partiu de um endereço do tipo Pay-to-Public-Key-Hash (P2PKH) registrado em 12 de novembro de 2014. Após mais de uma década intocado, o endereço enviou 165,50 BTC em uma única transação no bloco 952452. Quando os fundos chegaram à carteira, em 2014, valiam apenas US$ 60.738. Hoje, mesmo com o tombo recente, somam cerca de US$ 10,2 milhões alta acumulada de 16.693,44%.
Os recursos passaram por uma sequência de endereços Pay-to-Witness-Public-Key-Hash (P2WPKH) recém-criados antes de pousarem em uma carteira final que agora concentra 204,67 BTC, o equivalente a aproximadamente US$ 12,6 milhões. A escolha pelo formato SegWit sugere planejamento operacional, e não venda imediata.
Duas carteiras de 2017 movem 434 BTC em seguida
Logo após a movimentação do endereço de 2014, dois outros wallets dormentes desde 9 de maio de 2017 entraram em ação. No bloco 952454, uma carteira P2PKH transferiu 115 BTC, cerca de US$ 7,1 milhões. Em transação separada, um segundo endereço da mesma data mexeu 319,26 BTC, perto de US$ 19,7 milhões.

Na época em que receberam os fundos, há nove anos e 26 dias, o Bitcoin era negociado a US$ 1.709. O preço atual, mesmo após a correção que levou o ativo para a casa dos US$ 60,6 mil (R$ 314,7 mil), multiplica o valor original em mais de 35 vezes. As três carteiras nunca haviam gastado um único satoshi desde a criação.
O padrão se repete em 2026. Outros endereços da era pré-bull run de 2017 também despertaram nas últimas semanas, em movimento que tem chamado a atenção de analistas on-chain. O caso mais recente envolvendo BlackRock e os irmãos Winklevoss mexeu 7 mil BTC e gerou ruído semelhante no mercado.
Rastreamento on-chain não confirma venda
O ponto sensível para o investidor é distinguir transferência de venda. As moedas das três carteiras seguem visíveis em endereços recém-criados, sem indício direto de envio para exchanges centralizadas. Isso significa que o dono pode estar apenas atualizando a custódia — migrando de P2PKH legado para SegWit ou se preparando para movimentação posterior.
Ainda assim, vendas via mesas de balcão (OTC) ou serviços de custódia institucional não deixam rastro claro na blockchain. Operações desse porte costumam ser executadas fora do livro de ordens das exchanges justamente para evitar pressão imediata no preço. A coincidência com a mínima anual do Bitcoin reforça a hipótese de realização parcial de lucro por parte do detentor.
Pressão vendedora se soma a fluxo de baleias recentes
O movimento das carteiras antigas se encaixa em um ambiente já carregado de oferta. Nas últimas semanas, baleias depositaram mais de 14 mil BTC na Binance, replicando o padrão observado na correção de fevereiro. Some-se a isso o estoque de US$ 2,6 bilhões em shorts acumulados no mercado de derivativos, e o quadro fica delicado para o curto prazo.
Para o investidor brasileiro que opera em exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso, o impacto chega via cotação em reais. Com o dólar a R$ 5,1711, o BTC negocia em US$ 60,870.87, patamar que já apaga boa parte dos ganhos acumulados no semestre. A liquidez em pares BRL costuma diminuir nesses momentos, ampliando o spread cobrado nas plataformas nacionais. Carteiras adormecidas que decidem rotacionar moedas no fundo do ciclo tendem a alimentar a narrativa de capitulação e a tornar mais demorada qualquer tentativa de recuperação técnica.