- Trump diz que não há motivo para Fed subir juros em junho
- Kevin Warsh assume Fed após confirmação apertada de 54 a 45
- FOMC de 16 e 17 de junho pode mexer com Bitcoin e ETFs
O presidente Donald Trump abriu uma frente pública de pressão sobre o Federal Reserve a menos de duas semanas da primeira reunião do novo presidente da instituição, Kevin Warsh. Em entrevista concedida em 5 de junho à NBC, na fazenda Custer, em Chippewa Falls, Wisconsin, Trump afirmou não haver “nenhuma razão para subir os juros” e classificou Warsh como “fantástico”. A fala é o foco da disputa entre Casa Branca e Fed que afeta diretamente o cenário do Bitcoin nas próximas semanas.
Warsh estreia no FOMC em 16 de junho
Confirmado pelo Senado em votação apertada de 54 a 45, Warsh foi empossado em 22 de maio. Sua estreia oficial à frente do Comitê Federal de Mercado Aberto está marcada para os dias 16 e 17 de junho. A taxa básica norte-americana está hoje na faixa de 3,5% a 3,75%, bem abaixo do pico do ciclo de aperto de 2022 e 2023, mas ainda em patamar restritivo para ativos de risco.
O relatório de empregos de maio veio forte e mudou a expectativa do mercado. Operadores que vinham apostando em cortes agora discutem manutenção ou até uma alta pontual. Pressões inflacionárias persistentes, alimentadas em parte pelo conflito com o Irã e seus reflexos nos preços de energia, complicam o trabalho do novo presidente do Fed.
Warsh não é estreante na instituição. Foi diretor do Fed entre 2006 e 2011, atravessou a crise financeira global e construiu reputação hawkish, ou seja, historicamente prefere juros mais altos para conter preços. A escolha de Trump por um nome com esse perfil é, no mínimo, paradoxal diante do discurso público que defende juros parados.
Por que cripto reage a cada palavra do Fed
Taxa de juros nos Estados Unidos é a variável macro mais relevante para Bitcoin, Ethereum e o resto do mercado cripto. Quando o rendimento dos Treasuries sobe, o custo de oportunidade de manter ativos voláteis aumenta e o capital migra para a renda fixa. Quando cai, dinheiro busca retorno em ativos de risco e cripto está no topo dessa lista.
O BTC opera nesta segunda-feira a US$ 63.919 (cerca de R$ 330.572), com alta de 2,8% em 24 horas. O ETH avança 4,2% e é cotado a US$ 1.695. O movimento ocorre justamente no compasso de espera por sinais de Warsh. Qualquer sinalização de aperto adicional no dot plot tende a reverter esse fôlego, e os ETFs de Bitcoin que vinham em resgate podem aprofundar saídas.
Risco cambial pesa sobre quem opera em real
No Brasil, o efeito é duplo. Juro alto nos EUA fortalece o dólar contra o real hoje em R$ 5,1621 e encarece a entrada de cripto via exchanges locais, já que a maior parte dos pares líquidos é negociada contra USDT ou USD. Um Fed mais duro pressiona o Copom a manter a Selic elevada, reduzindo o apetite por ativos de risco.
O paralelo com 2022 é direto, quando o Fed acelerou o aperto, o Bitcoin perdeu 65% em dólar e a queda em real foi amortecida pela disparada da moeda americana. Hoje a equação se inverte, se Warsh mantiver postura dovish, dólar enfraquece e amplia ganhos em reais dos comprados.
Dot plot e orientação futura são o verdadeiro gatilho
A decisão de 17 de junho importa menos do que o documento que a acompanha. Analistas vão dissecar o dot plot projeções individuais dos membros do FOMC para a trajetória dos juros em busca de pistas sobre o segundo semestre. Se a mediana indicar altas ainda em 2026, a reação em derivativos e fluxo de baleias deve ser imediata, segundo dados disponíveis no calendário oficial do FOMC. Vale lembrar que Warsh assumiu publicamente liberdade de ação,
“Kevin é fantástico, e quero que ele faça o que quiser”, disse Trump na entrevista.