- Bitcoin caiu quase 14% na semana e desencadeou cerca de US$ 10 bilhões em liquidações de longs
- Saylor cita US$ 400 bilhões em IA contra US$ 4 bilhões de saídas em ETFs de BTC desde maio
- Hedge funds cortam fatia no IBIT de 29% para 19% enquanto consultores aproveitam queda
A queda do bitcoin rumo aos US$ 60 mil na semana passada deixou explícito como uma simples mudança no apetite dos investidores pode virar venda forçada quando a alavancagem voltou a se acumular nos bastidores do mercado cripto. O ativo recuou perto de 14% em sete dias e provocou cerca de US$ 10 bilhões em liquidações de posições compradas em futuros.
Depois do tombo, o BTC se recuperou para a faixa de US$ 63 mil, mas nesta terça-feira opera novamente sob pressão, a US$ 61.392 (R$ 316.316), com baixa de 4,1% em 24 horas. O repique não encerrou o debate sobre o gatilho da queda e analistas de Charles Schwab e NYDIG convergem para uma explicação incômoda, o capital especulativo está migrando para a inteligência artificial.
IA vira trade rival do bitcoin
O Jim Ferraioli, chefe de pesquisa em cripto da Charles Schwab, observa que investidores cripto têm o hábito de rotacionar para o trade dominante do momento. Esse padrão já se repetiu com metais preciosos, com petróleo durante o conflito no Irã, com ações de memória e com veículos privados ligados a futuros IPOs. Agora, a vez é da inteligência artificial.
Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, escancarou o contraste em publicação no X, cerca de US$ 400 bilhões entraram em infraestrutura de IA nos últimos seis meses, enquanto os ETFs spot de bitcoin nos EUA acumulam aproximadamente US$ 4 bilhões em saídas desde meados de maio. O bitcoin deixou de competir só com ouro ou trades macro disputa atenção com o ciclo de capex bilionário da IA.
Greg Cipolaro, da NYDIG, reforça a tese ao apontar a sobreposição entre as duas bases de investidores. Ambos os setores atraem quem busca exposição a tecnologias emergentes e potencial de retorno elevado. Institucionais já miram SpaceX, OpenAI e Anthropic, movimento que pode antecipar realocações relevantes de caixa disponível.
Open interest volta a US$ 51 bilhões antes do tombo
Ferraioli destaca que o open interest em futuros de bitcoin tinha caído para cerca de US$ 31 bilhões em fevereiro, depois do pico próximo de US$ 70 bilhões. Em maio, voltou a aproximadamente US$ 51 bilhões, sinal claro de que traders haviam reconstruído risco durante o repique. Quando o mercado virou, essas posições viraram combustível para a venda forçada.
Quase US$ 10 bilhões em longs desapareceram na semana, enquanto investidores reduziram exposição sem reposição equivalente. As saídas de ETFs spot e a venda de hedge funds amplificaram o quadro. Funding rates voltaram a tangenciar terreno negativo, indicando que o viés comprado começou a se desfazer.
Hedge funds cortam fatia no IBIT de 29% para 19%
Os hedge funds foram os principais vendedores após o pico de início de maio. Até 31 de maio, sua participação no iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock caiu de cerca de 29% para 19%. Na contramão, consultores de investimento aumentaram exposição durante a queda, enquanto contas de varejo em corretoras também reduziram posições.
O recorte mostra um mercado partido, alocadores de longo prazo comprando fraqueza, traders táticos cortando risco. Dados da Coinbase mostram que instituições efetivamente acumularam mais BTC perto de US$ 60 mil do que faziam a US$ 125 mil o que dialoga com o movimento dos advisers no IBIT.
Para o investidor BR, câmbio amplia a perda
Para brasileiros, o tombo foi severo: BTC segue perto de R$ 316 mil, acompanhando perdas americanas. Mercado Bitcoin e Foxbit ganham volume nesses períodos, mas limitações regulatórias reduzem a alavancagem disponível localmente.
O bitcoin testa agora a região da média de 200 semanas e o custo eficiente de produção das mineradoras. Se a alavancagem voltar a subir antes da demanda spot se recompor, novo flush não está descartado.
