Após tombo de 16%, analista da Ark duvida que dólar supere índice Circle

  • Open USD pressiona Circle após queda forte das ações
  • Ark vê consórcio lento contra emissores independentes
  • USDC ainda mantém liquidez e presença regulatória

As ações da Circle sofreram forte queda nesta terça-feira, depois que um grupo com mais de 140 empresas apresentou a Open USD, nova stablecoin que mira o mercado do USDC.

O movimento colocou Circle, USDC e Open USD no centro da disputa por stablecoins, um setor que já movimenta centenas de bilhões de dólares.

A queda assustou investidores porque atingiu uma das empresas mais ligadas ao avanço regulado das stablecoins nos Estados Unidos. Além disso, expôs a pressão sobre seu modelo de receita.

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As ações da Circle fecharam em queda de aproximadamente 16,5%, após abrirem perto de US$ 72,46 e tocarem a região de US$ 63,10. O recuo ampliou uma correção que já vinha desde as máximas de 2026, quando o papel chegou perto de US$ 129.

Mesmo assim, parte do mercado ainda trata a reação como exagerada. O motivo está na dificuldade histórica de novas stablecoins ganharem liquidez rapidamente.

Open USD chega com apoio pesado, mas ainda precisa provar força

A Open USD, também chamada de OUSD, nasceu dentro da Open Standard, uma entidade independente criada para coordenar o novo projeto.

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O grupo reúne nomes como Visa, Mastercard, Coinbase, BlackRock, Google, Shopify, Ripple, BNY Mellon e US Bank, segundo informações divulgadas ao mercado.

A proposta mira empresas que querem usar stablecoins sem pagar taxas de emissão ou resgate. Além disso, o projeto promete não impor limites de volume.

Outro ponto chamou mais atenção. A Open USD pretende compartilhar parte dos rendimentos das reservas com os parceiros do ecossistema.

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Esse modelo atinge diretamente uma das maiores fontes de receita da Circle. Hoje, a empresa ganha principalmente com os juros dos títulos do Tesouro que lastreiam o USDC.

Por isso, investidores reagiram rápido. Se grandes parceiros receberem parte desses rendimentos em outro modelo, a Circle pode enfrentar pressão nas negociações futuras.

O papel da Coinbase também elevou a tensão. A empresa mantém relação histórica com o USDC, mas aparece entre os apoiadores da nova rede.

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A Circle pagou cerca de US$ 908 milhões à Coinbase em 2024 pela distribuição do USDC. Esse acordo deve entrar em nova fase de negociação em agosto.

Analista da Ark vê obstáculo no modelo de consórcio

Apesar da pressão, Lorenzo Valente, diretor de pesquisa de ativos digitais da Ark Invest, questionou a capacidade da Open USD de superar a Circle.

Ele comparou o projeto a outras tentativas de consórcio no mercado, como Diem e Global Dollar Network, que enfrentaram obstáculos de execução.

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Para Valente, um conselho formado por muitas empresas concorrentes pode agir devagar demais. Enquanto isso, emissores independentes conseguem lançar produtos sem pedir autorização coletiva.

O analista também levantou dúvidas sobre o financiamento do projeto. Segundo ele, uma oferta de US$ 10 bilhões com 25 pontos-base geraria apenas US$ 25 milhões por ano.

Esse valor, na visão dele, ficaria abaixo do necessário para sustentar descontos, incentivos comerciais e infraestrutura de liquidação em escala global.

“Eu apostaria nos dois operadores que podem enviar unilateralmente em vez de um comitê que precisa pedir permissão a 500 concorrentes”, disse Valente no X.

A avaliação ajuda a explicar por que parte do mercado não vê a Open USD como ameaça imediata, mesmo com o peso dos apoiadores.

O USDC ainda mantém liquidez forte, presença em exchanges, integrações consolidadas e posição regulatória relevante. Esses fatores criam barreiras para novos concorrentes.

Além disso, a Open USD ainda não está disponível. O lançamento deve ocorrer ainda em 2026 em redes como Solana, Stellar, Base e Polygon.

Enquanto isso, a Circle tenta defender sua posição em um mercado cada vez mais disputado. A empresa ainda não apresentou resposta pública detalhada ao anúncio.

O CEO Jeremy Allaire já vinha destacando a confiança, a transparência e a força institucional do USDC diante da chegada de novos concorrentes.

A disputa também mostra por que bancos, fintechs e empresas de tecnologia querem espaço nas stablecoins. O setor já ultrapassou US$ 300 bilhões em valor total.

O USDT lidera com cerca de US$ 184 bilhões, enquanto o USDC gira perto de US$ 74 bilhões, segundo dados de mercado citados por analistas.

Além disso, projeções do Citi apontam que o mercado de stablecoins pode chegar a US$ 4 trilhões até 2030.

Por isso, investidores devem acompanhar dois pontos nos próximos meses, a renovação do acordo da Coinbase com a Circle e o avanço real da Open USD.

Se a nova stablecoin atrair liquidez, a pressão sobre a Circle pode continuar. Porém, se o consórcio andar devagar, o tombo das ações pode parecer precipitado.

No momento, a Open USD tem nomes fortes, mas ainda precisa provar execução. Já a Circle tem liquidez, marca e presença, mas agora enfrenta um rival com apoio pesado.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.