- Peter Brandt descarta padrão de fundo necessário para US$ 250 mil
- Volume sobe 40% enquanto Bitcoin negocia próximo a US$ 76.400
- Open interest cai 2,5% sinalizando realização de lucros
A retomada recente do Bitcoin reacendeu o debate sobre metas ambiciosas de preço, mas nem todos os analistas estão convencidos. Peter Brandt, trader com décadas de experiência nos mercados, rejeitou publicamente a possibilidade de a criptomoeda atingir US$ 250 mil antes do final de 2026.
O veterano analisou a estrutura gráfica atual em 28 de abril e identificou um canal ascendente no gráfico diário. Para Brandt, esse padrão não sustenta movimentos explosivos como os que levariam o ativo a triplicar de valor em menos de dois anos.
Enquanto figuras do mercado como Tom Lee da Fundstrat e o autor Robert Kiyosaki mantêm visões otimistas baseadas em entrada institucional via ETFs e mudanças regulatórias favoráveis, Brandt prefere focar na análise técnica pura. Sua leitura indica que o Bitcoin se move dentro de limites definidos, sem formar o tipo de base que historicamente precede grandes rompimentos.
Pressão vendedora derruba preço
O Bitcoin está negociado em US$ 76.110 após ceder cerca de 2% nas últimas 24 horas. A máxima intradiária alcançou US$ 79.327 antes da pressão vendedora se intensificar.
O volume de negociação cresceu quase 40% no mesmo período, indicando participação ativa dos traders. A mínima de 24 horas foi registrada em US$ 76.384, estabelecendo uma faixa relativamente estreita de oscilação.
Desenvolvimentos geopolíticos entre Estados Unidos e Irã contribuíram para a volatilidade. Relatos sobre negociações envolvendo o Estreito de Ormuz coincidiram com alta nos preços do petróleo, pressionando ativos de risco como o Bitcoin.
Derivativos confirmam realização
Dados da CoinGlass revelam enfraquecimento no mercado de futuros. O open interest total em contratos de Bitcoin caiu 2,50% em 24 horas, totalizando US$ 56,70 bilhões.
A CME registrou queda de 0,32% em uma hora, enquanto a Binance viu redução de 0,39% no mesmo intervalo. Esses números sugerem que traders estão fechando posições alavancadas.
Em contextos de queda de preço, a diminuição do open interest geralmente indica tomada de lucros após movimento de alta. Os dados apontam exatamente para esse cenário, com investidores aproveitando a recuperação recente para realizar ganhos.
Regulação americana no radar
Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, projeta que o Bitcoin pode alcançar US$ 90 mil no segundo trimestre caso o presidente Donald Trump assine o CLARITY Act em junho. A legislação visa estabelecer regras mais claras para ativos digitais nos Estados Unidos.
O projeto de lei representa parte de um esforço maior para definir o marco regulatório cripto americano. Apoiadores argumentam que diretrizes específicas podem acelerar a participação institucional no setor.
Para o mercado brasileiro, mudanças regulatórias nos EUA historicamente influenciam preços locais. Exchanges brasileiras observam de perto esses desenvolvimentos, já que o Bitcoin negociado no Brasil acompanha tendências globais com ajustes cambiais.
Canal técnico limita expectativas
A análise de Brandt destaca que o Bitcoin não formou um padrão de fundo característico de grandes altas. O trader descartou interpretações que veem uma bandeira de alta no gráfico atual.
Mesmo reconhecendo potencial para ganhos adicionais, Brandt enfatizou que a estrutura de preços sugere movimento dentro de um canal definido. Essa leitura técnica contrasta com previsões baseadas em narrativas fundamentalistas.
O debate entre análise técnica e fatores macro continua dividindo o mercado. Enquanto otimistas citam adoção crescente e influxos em ETFs, traders técnicos como Brandt preferem evidências gráficas concretas antes de endossar metas extremas de preço.
