Bitcoin trava em US$ 77 mil com vencimento de US$ 3,7 bi em opções

  • Bitcoin opera a US$ 77.343 dentro da faixa de max pain entre US$ 76 mil e US$ 79 mil
  • Open interest de futuros soma US$ 54,94 bilhões, com CME liderando em valor
  • Calls superam puts em 56,79% do open interest agregado na Deribit

O bitcoin aparece preso em torno de US$ 77.343 nesta segunda-feira (25), e a explicação não está em fluxos macro nem em fluxos de ETFs. Está no derivativos. Um vencimento de US$ 3,7 bilhões em opções marcado para sexta-feira na Deribit posicionou a zona de max pain exatamente onde o preço à vista negocia.

O conceito de max pain descreve o nível em que o maior número de contratos vence sem valor — ou seja, onde os vendedores de opções (em geral, mesas profissionais) maximizam lucro. Quando o spot orbita essa faixa nas vésperas do vencimento, é comum que o preço seja “ancorado” por hedges automáticos de gama. Assim, a volatilidade é reduzida.

Open interest ainda distante do pico

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Segundo dados da Coinglass, o open interest agregado de futuros de bitcoin somava 710.150 BTC, equivalente a US$ 54,94 bilhões. A CME lidera em valor nominal com US$ 9,33 bilhões, ou 16,97% do mercado, apesar de manter apenas 120.570 BTC em contratos abertos. A Binance aparece logo atrás com US$ 10,41 bilhões e a maior fatia em moedas: 18,94% do total.

OKX, Bybit, Gate e Hyperliquid completam o top 6. A variação consolidada em 24 horas foi modesta, de -0,59%. O número parece grande, mas o contexto importa. Em outubro de 2025, com o BTC perto de US$ 126 mil, o OI em dólares chegou a quase US$ 100 bilhões. O patamar atual está cerca de US$ 30 bilhões abaixo do pico do ciclo. Ainda assim, o preço se recupera da mínima de fevereiro.

Esse encolhimento sugere que a alavancagem especulativa diminuiu — e ajuda a explicar por que correções recentes não desencadearam liquidações em cascata como as vistas no fim de 2025. Na ocasião, o mercado liquidou US$ 917 milhões em poucas horas.

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Calls dominam, mas convicção curta é fraca

No livro de opções, calls superam puts em 56,79% a 43,21% por open interest, com 267.984 BTC contra 203.905 BTC. O volume das últimas 24 horas, no entanto, ficou praticamente dividido — 50,15% calls contra 49,85% puts. Tradução: o posicionamento estrutural é levemente otimista, mas a convicção direcional de curtíssimo prazo é fraca.

O contrato mais ativo na Deribit é a call de US$ 80 mil com vencimento em 29 de maio, somando 7.856 BTC em OI. Esse strike está cerca de US$ 2.657 acima do spot atual, o que o deixa fora-do-dinheiro a poucos dias do vencimento. Em segundo lugar aparece a call de US$ 120 mil para dezembro de 2026, com 7.063 BTC — aposta de longo prazo em recuperação. Em terceiro, uma put de US$ 60 mil para o mesmo vencimento, sinal de hedge robusto contra cenário de queda.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Para quem opera spot no Brasil — em Mercado Bitcoin, Foxbit ou Binance BR —, o cenário de max pain ancorado tende a se traduzir em candles diários menores e spreads mais comportados até quinta-feira. O risco é binário. Ou a faixa de US$ 76 mil a US$ 79 mil resiste até o vencimento, validando o efeito gravitacional, ou um catalisador externo rompe a banda e força reposicionamento.

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Vale lembrar que a semana traz divulgação de PCE e revisão do PIB norte-americano, dados que já vinham no radar do mercado. Na CME, o livro institucional mostra padrão oposto ao varejo. Puts predominam ao longo de 2025 e 2026, indicando uso de opções como proteção, não como alavancagem especulativa. O OI da bolsa de Chicago encolheu dos cerca de 70 mil BTC de novembro de 2025 para uma concentração no curto prazo. Isso sugere cautela institucional persistente mesmo com o spot tentando recuperar US$ 80 mil.

A Bybit liderou os pares mais negociados em volume, com calls de US$ 78.500, US$ 78 mil e US$ 77.500 concentrando o interesse — confirmação direta de que traders precificam ativamente a faixa de US$ 77 mil a US$ 79 mil como o palco da semana.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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