Bitcoin cai abaixo de US$ 75 mil e liquida US$ 917 milhões em cripto

  • Bitcoin perfura suporte de US$ 75 mil e mercado liquida US$ 917 milhões em 24 horas
  • Posições long respondem por US$ 834 mi do total, expondo viés altista do mercado
  • Queda acumulada desde topo de US$ 124 mil já chega a 40% no ciclo

O bitcoin rompeu para baixo o piso de US$ 75 mil e detonou uma das maiores cascatas de liquidação do trimestre. Em 24 horas, o mercado de derivativos cripto registrou cerca de US$ 917 milhões em posições zeradas, com investidores comprados absorvendo quase toda a perda.

Do total, aproximadamente US$ 834 milhões vieram de longs — apostas em alta de preço. A assimetria escancara o quanto o livro estava inclinado para o lado comprador antes do tombo, transformando o ajuste técnico em um efeito dominó de margens estouradas.

Zona de suporte sob fogo

A faixa entre US$ 75 mil e US$ 77 mil vinha sendo monitorada por analistas técnicos como linha-chave de defesa. Retestes recorrentes abaixo dos US$ 80 mil ao longo de 2026 já vinham desgastando a região, e cada nova visita a esses níveis enfraquece o piso.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Movimentos anteriores neste mesmo ano, quando o ativo mergulhou na faixa de US$ 67 mil a US$ 76 mil, produziram estragos ainda maiores — entre US$ 1,7 bilhão e US$ 2 bilhões em fechamentos forçados. Em termos relativos, portanto, os quase US$ 1 bilhão atuais ficam abaixo dos piores episódios recentes, mas reforçam a leitura de que alavancagem segue elevada.

O comportamento típico dessa dinâmica é circular. Vendas forçadas pressionam o preço para baixo, gatilhos de liquidação adicionais são acionados, e o livro de ordens fica desbalanceado. Foi exatamente o que ocorreu na madrugada.

De US$ 124 mil até aqui

O bitcoin marcou seu topo histórico acima de US$ 124 mil em outubro de 2025. A correção desde então tem sido íngreme e cheia de degraus. Em fevereiro de 2026, o ativo chegou a tocar US$ 62.800, um dos mergulhos mais agudos do ciclo atual.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Considerando o pico até o nível atual, a desvalorização acumulada chega perto de 40%. É um drawdown compatível com correções de ciclo, mas que pesa em estruturas alavancadas e em empresas-tesouraria que entraram comprando no topo — caso, por exemplo, da Trump Media, que já realizou prejuízo ao desfazer parte da posição.

O que monitorar agora

Dois indicadores ganham peso neste momento: open interest e funding rate. O primeiro mostra quanto dinheiro está alocado em contratos alavancados. O segundo revela para qual lado o consenso do mercado pende. Quando funding positivo encontra preço em queda, o resultado costuma ser exatamente o que se viu — liquidação em cadeia.

Se o bitcoin perder de vez a faixa dos US$ 75 mil a US$ 77 mil, a referência abaixo é a mínima de fevereiro perto de US$ 62.800. Um movimento nessa direção tende a acionar nova rodada de liquidações, possivelmente maior, dado o volume de posições compradas entre US$ 75 mil e US$ 63 mil que ficariam no vermelho.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Impacto para o investidor brasileiro

Para quem opera em reais, a queda chega em um momento delicado. Com o dólar acima de R$ 5,40, o bitcoin local segue cotado próximo de R$ 405 mil, e o efeito combinado de câmbio e correção pode mascarar a perda real em moeda forte. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso costumam registrar picos de volume em momentos como este, especialmente em ordens de stop e em movimentos defensivos para stablecoins.

O pano de fundo macro também não ajuda. A leitura recente da ata do Fed reabriu o debate sobre nova alta de juros nos Estados Unidos, cenário descrito em análise sobre a pressão monetária sobre o BTC. Em paralelo, fluxos de saída dos ETFs spot americanos seguem em ritmo elevado, conforme dados sobre vendas concentradas nos EUA. A combinação juros altos, dólar forte e ETFs vendendo limita o espaço para um repique técnico imediato. Métricas em tempo real podem ser acompanhadas em fontes públicas como o painel da Coinglass para liquidações.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.