Carteiras de 2014 movem 150 BTC e mandam US$ 4 mi à Coinbase

  • Carteira de 2014 envia 53,96 BTC à Coinbase e sugere realização de lucro
  • Movimentação total soma 150,81 BTC distribuídos em três endereços antigos
  • Holder original acumula ganho potencial de 9.044% sobre preço de compra

Carteiras de bitcoin adormecidas há quase uma década voltaram a se mexer em meio à correção do mercado. No dia 26 de maio, três endereços criados entre 2014 e 2017 movimentaram 150,81 BTC, e parte expressiva desse montante terminou em uma exchange — sinal clássico de preparação para venda.

A operação mais relevante partiu de uma carteira aberta em 4 de janeiro de 2014. O endereço, do tipo legacy P2PKH, transferiu 103,96 BTC no bloco 951.160. O fluxo foi quebrado em duas transações subsequentes, e ao menos 53,96 BTC seguiram diretamente para a Coinbase, segundo dados detectados pelo btcparser.com e confirmados no explorador mempool.space.

Pelos preços atuais, os 103,96 BTC equivalem a cerca de US$ 7,75 milhões, ou aproximadamente R$ 39,3 milhões na conversão pelo dólar de R$ 5,0694. Em janeiro de 2014, quando a carteira foi criada, o BTC valia US$ 823 — toda a posição custava modestos US$ 85,5 mil. O retorno bruto, caso a venda se confirme, beira 9.044%.

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Sinal de venda ou consolidação?

O envio direto à Coinbase diferencia essa movimentação das demais. Quando moedas dormentes entram em uma exchange centralizada, a probabilidade de liquidação cresce — diferente de transferências para novas carteiras frias, que apenas trocam o endereço de custódia. A Blockchair atribuiu um score de privacidade de 45 à transação de 2014, indicando padrão de sweep com reaproveitamento de endereços nas entradas.

Já outras duas movimentações registradas na mesma quarta-feira parecem ter natureza diferente. Uma carteira criada em 10 de março de 2017 moveu 21,85 BTC, enquanto outra, aberta em 12 de agosto de 2016, transferiu 24,99 BTC. Ambas terminaram em endereços modernos do tipo Bech32, comportamento típico de quem está apenas atualizando a arquitetura da carteira após anos de inatividade. A pontuação de privacidade ficou em 55 nos dois casos.

O holder de 2016 comprou quando o BTC valia US$ 587. O de 2017 entrou a US$ 1.201. Ambos acumulam ganhos relevantes, mas o movimento não passou por exchange — o que reduz, mas não elimina, a chance de venda em etapa posterior.

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Contexto de mercado e leitura brasileira

O fluxo acontece num momento delicado. O Bitcoin opera a US$ 74.542 (cerca de R$ 377.884) e acumula queda de aproximadamente 40% em relação à máxima histórica de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025. A pressão técnica é visível na leitura recente do bear flag, que projeta fundo justamente na faixa atual.

Para o investidor brasileiro, o detalhe operacional importa. A Coinbase não atende clientes pessoa física no Brasil, mas o destino dos 53,96 BTC pressiona a liquidez global do par BTC/USD — e exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit precificam exatamente esse spot internacional. Uma venda de US$ 4 milhões não derruba o mercado sozinha, mas se soma a um ambiente de saídas bilionárias dos ETFs spot nas últimas semanas.

O padrão das baleias antigas

Esta não é a primeira reativação do mês. Bitcoin.com News documentou, dias antes, outras cinco carteiras criadas em 2014 movimentando 964,85 BTC em conjunto. O comportamento se repete: durante correções profundas, parte dos holders mais antigos opta por realizar lucros parciais — uma reação que ecoa o que ocorreu em ciclos anteriores, como na correção de 2021.

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Ainda assim, o oferta total movimentada por essas carteiras antigas representa fração pequena do supply em circulação. Movimentações como a recente ativação de uma baleia com 10 anos de Ethereum mostram que reorganização patrimonial entre OGs cripto virou tendência transversal. Resta saber se a entrada na Coinbase resultará em venda imediata ou ficará parada como reserva líquida nos próximos pregões.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.