Dificuldade de mineração do Bitcoin cai 10% no 11º maior ajuste da história

  • Dificuldade do Bitcoin recua de 138,96T para 124,93T no bloco 953.568
  • Queda de 15% no preço em junho empurrou mineradores ineficientes para fora da rede
  • Hashprice deve voltar acima de US$ 30 por PH/s com alívio para operadores ativos

A rede do Bitcoin acaba de registrar um dos maiores ajustes negativos de dificuldade de toda a sua história. No bloco 953.568, o indicador recuou 10,09%, caindo de 138,96 trilhões para 124,93 trilhões, segundo dados da Galaxy Research compilados pela WuBlockchain. Foi o 11º maior corte já registrado e o segundo mais profundo de 2026.

Assim, o movimento responde diretamente ao tombo de preço observado no início do mês. O BTC, que é negociado nesta manhã a US$ 64.572 (cerca de R$ 329.788), perdeu aproximadamente 15% no acumulado de junho. Além disso, a pressão sobre as margens forçou operadores menos eficientes a desligar máquinas, reduzindo o hashrate competindo por blocos.

Época de 15,6 dias explica corte profundo

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A dificuldade do Bitcoin é recalculada a cada 2.016 blocos para manter o tempo médio próximo de 10 minutos. Quando o hashrate cai e blocos demoram mais do que o previsto, a rede afrouxa a exigência automaticamente. Foi exatamente o que aconteceu.

Assim, a época anterior durou 15,6 dias em vez dos 14 dias-alvo. Esse atraso evidenciou que parte relevante do poder computacional havia saído da rede. A própria publicação no X da WuBlockchain destacou que a Galaxy atribui o ajuste ao aperto nas margens dos mineradores ao longo do mês.

A TheEnergyMag projetava um corte ao redor de 9,55%. Além disso, o resultado final veio mais agressivo, sinalizando que a saída de capacidade foi maior do que o esperado pelos modelos do setor. Para efeito de comparação, ajustes acima de 10% historicamente coincidiram com episódios de estresse extremo, como o êxodo de mineradores da China em meados de 2021.

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Hashprice deve voltar aos US$ 30 por PH/s

Para quem permaneceu operando, o cenário ficou menos hostil. Com menos máquinas disputando a recompensa, cada PH/s ativo passa a render mais Bitcoin no mesmo intervalo. Analistas projetam que o hashprice — a receita por unidade de poder computacional — volte a superar a marca de US$ 30 por PH/s.

Assim, o alívio, porém, não chega de forma uniforme. Mineradores com frota nova (sobretudo aparelhos da geração S21) e contratos de energia abaixo de US$ 0,05 por kWh capturam quase todo o benefício. Operadores rodando ASICs antigos seguem expostos a um novo recuo de preço. Há poucos dias, o BitNotícias mostrou que parte do setor já operava em capitulação com margens apertadas, com custo de produção próximo de US$ 61 mil por moeda.

Core Scientific e TeraWulf migram capacidade para IA

O corte de dificuldade não acontece só por causa do preço. Uma reconfiguração estrutural do setor está em curso. Mineradores listados nos Estados Unidos vêm redirecionando megawatts de mineração para data centers de inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC), onde os contratos são mais previsíveis e as margens, maiores.

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Além disso, a Core Scientific planeja transformar o site de Pecos, no Texas, em campus de IA, reaproveitando 300 MW antes dedicados ao Bitcoin. Já a TeraWulf reportou US$ 21 milhões em receita com hospedagem HPC no primeiro trimestre de 2026 — montante que superou o faturamento de mineração no mesmo período. Assim, a HIVE Digital anunciou um projeto de 320 MW perto de Toronto desenhado para abrigar mais de 100 mil GPUs.

Esse fluxo de capacidade para fora da rede ajuda a explicar por que retracements de hashrate, antes raros, viraram parte da paisagem. Quando a tese econômica da IA paga mais por megawatt do que a tese de minerar BTC, o ajuste de dificuldade tende a ficar mais sensível a oscilações de preço.

Mineradores brasileiros ganham fôlego com tarifa de energia

No Brasil, operações de pequeno e médio porte costumam rodar com custo de energia entre R$ 0,30 e R$ 0,45 por kWh — competitivo na comparação internacional quando há acesso a contratos no mercado livre. Com o BTC cotado a R$ 329.788 e a dificuldade mais baixa, o ponto de equilíbrio melhora para fazendas que operam frota recente. O movimento também reduz a pressão sobre empresas listadas que dependem de produção própria para abastecer tesourarias corporativas em Bitcoin.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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