- Bitcoin registra entrada líquida de capital, enquanto ouro perde US$ 11 bilhões em ETFs em março.
- Ouro cai cerca de 15% no mês; prata devolve todos os ganhos desde 2025.
- Atividade cripto dispara no Irã, com migração para autocustódia e plataformas internacionais.
O Bitcoin demonstrou resiliência durante a guerra no Irã e passou a se comportar como ativo de proteção.
Segundo o JPMorgan, enquanto ouro e prata sofreram saídas e liquidações, o BTC atraiu fluxo e ganhou força relativa.
Bitcoin avança enquanto ouro e prata perdem força
O contraste entre os ativos ficou evidente em março, o ouro caiu cerca de 15% no período. Além disso, ETFs do metal registraram saídas próximas de US$ 11 bilhões.
A prata seguiu o mesmo caminho, os fluxos positivos acumulados desde o ano passado foram totalmente revertidos. Portanto, o movimento indica forte realização de lucros.
Segundo analistas liderados por Nikolaos Panigirtzoglou, o cenário mudou rápido.
“Ouro e prata estavam em posições muito carregadas, o que aumentou a vulnerabilidade a liquidações”, destacaram.
Enquanto isso, o Bitcoin seguiu na direção oposta, o ativo registrou entradas líquidas e estabilidade no mercado futuro. Além disso, os sinais de momentum evoluíram de níveis de sobrevenda para neutros.
Outro ponto relevante foi a liquidez, historicamente superior, o ouro perdeu espaço. Agora, o Bitcoin apresenta melhor profundidade de mercado que o metal.
Uso de criptomoedas cresce em cenários de crise
A guerra no Irã também revelou um padrão importante, a atividade cripto no país disparou após o início do conflito.
Segundo dados citados no relatório, investidores locais transferiram recursos para carteiras próprias e plataformas internacionais. Esse movimento ocorreu em resposta à pressão cambial e restrições financeiras.
O Bitcoin se destacou por três fatores principais. Primeiro, sua natureza sem fronteiras. Além disso, a possibilidade de autocustódia. Por fim, a negociação contínua, 24 horas por dia.
Por isso, o banco reforçou o papel do ativo em momentos de instabilidade.
“Criptomoedas desempenham um papel relevante como porto seguro em países sob estresse econômico e geopolítico”, afirmaram os analistas.
Além disso, traders quantitativos intensificaram o movimento. Estratégias baseadas em momentum aceleraram a queda de ouro e prata. Em contrapartida, o Bitcoin mostrou recuperação gradual.
Impactos e o que observar daqui para frente
O cenário atual sugere uma mudança estrutural no comportamento dos investidores, tradicionalmente, o ouro liderava em momentos de crise. Entretanto, o Bitcoin começa a disputar esse espaço.
Além disso, fatores macroeconômicos pesaram sobre os metais, juros mais altos e dólar forte reduziram a atratividade do ouro. Por outro lado, o BTC se beneficiou da narrativa de descentralização.
Se esse padrão continuar, o mercado pode ver uma migração gradual de capital. Principalmente em regiões com instabilidade econômica e controle de capital.
No entanto, a disputa entre ativos de proteção ainda está em evolução, o desempenho recente do Bitcoin reforça seu papel. Mas a consolidação dessa tese dependerá dos próximos ciclos de crise.

