- Shorts entre US$ 63 mil e US$ 66 mil somam US$ 2,6 bilhões em risco
- Funding rate negativo de 2% mostra confiança excessiva dos vendedores
- ETFs de Bitcoin registram leve entrada após 13 dias consecutivos de saques
O Bitcoin opera em US$ 61.620, ou cerca de R$ 320 mil na conversão direta, depois de tocar US$ 61.100 e liquidar US$ 335 milhões em posições compradas alavancadas. A queda, porém, deixou um efeito colateral que começa a chamar atenção dos traders, o acúmulo de posições vendidas concentradas na faixa entre US$ 63 mil e US$ 66 mil, somando algo próximo de US$ 2,6 bilhões.
Os dados são da CoinGlass e mostram um desequilíbrio raro. Para cada US$ 1,2 bilhão em longs que seriam liquidados caso o BTC caia mais 8% até US$ 57 mil, há mais que o dobro em shorts vulneráveis a um repique até US$ 66 mil. A assimetria é o tipo de configuração que precede movimentos abruptos de cobertura.
Funding rate negativo revela aposta vendida excessiva
O termômetro mais direto desse desequilíbrio aparece na taxa de financiamento dos contratos perpétuos. O valor neutro costuma oscilar entre 6% e 12% ao ano, com compradores pagando para manter posição. Hoje, o funding rate está em negativos 2% ou seja, são os vendedores que pagam para sustentar shorts.
Isso significa duas coisas. Primeiro, o lado comprador praticamente zerou alavancagem, o que reduz o estoque de combustível para novas quedas via liquidação em cascata. Segundo, o lado vendido está sobrecarregado e exposto a qualquer reversão técnica. Foi exatamente esse cenário que antecedeu vários squeezes registrados em 2023 e 2024.
Para o investidor brasileiro acompanhando via exchanges como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso, o sinal prático é o seguinte, a probabilidade de uma queda extrema adicional diminui à medida que longs alavancados somem do book. Já a probabilidade de um repique rápido que castiga quem tenta shortar no fundo aumenta.
ETFs de Bitcoin quebram sequência de 13 dias de saídas
O contexto de fluxo institucional também começa a sofrer inflexão. Na quinta-feira, os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA registraram entrada líquida de US$ 3 milhões, interrompendo 13 pregões seguidos de resgates que drenaram US$ 5,1 bilhões da categoria.
O número é modesto, mas relevante: é a primeira pausa no fluxo negativo desde o início da correção que levou o BTC dos US$ 70 mil para a faixa atual. Caso a entrada se confirme nos próximos pregões, ela soma combustível ao gatilho técnico já formado pelo posicionamento alavancado. O risco para os vendedores, nesse caso, deixa de ser teórico.
Setor de IA drena liquidez e pressiona Bitcoin
Parte da fraqueza recente do BTC não vem do próprio mercado cripto. A Broadcom fechou quinta-feira com queda de 12,6%, apagando US$ 280 bilhões em valor de mercado após reduzir projeção de vendas de chips de IA para o segundo semestre de 2026. Micron caiu 7,8% e Arm, 4,5%. O movimento sugere realização de caixa antecipando os IPOs esperados de SpaceX, Anthropic e OpenAI.
Jeff Park, sócio da ParaFi Capital e consultor da Bitwise, descreveu o fenômeno como uma “bola quente de dinheiro” que está concentrando capital no setor de IA em detrimento de outras classes. Segundo ele, a rotação tende a se inverter quando a euforia ceder, devolvendo fluxo para o Bitcoin com valuation mais descontado.
Venda de 32 BTC pela Strategy amplia medo no mercado
Outro fator que pesa sobre o sentimento é a recente venda de 32 BTC pela Strategy, a primeira em 41 meses. A operação simbolicamente quebrou a narrativa de acumulação contínua que vinha sustentando parte do bull case do Bitcoin desde 2023. As ações da MSTR caíram quase 10% no pregão seguinte, e o efeito psicológico ajudou a alimentar a pressão vendida observada nos perpétuos.
Ainda assim, a combinação de funding negativo, longs deleveraged e ETFs sinalizando estabilização compõe um quadro em que o risco assimétrico passou a favorecer o lado comprador no curto prazo. Conforme dados da CoinGlass, um movimento de retorno a US$ 66 mil seria suficiente para acionar a maior parte da pilha de shorts mapeada. Em paralelo, traders também monitoram o nível de US$ 71.495 como ponto técnico decisivo.
