- BitMine compra 52.203 ETH e chega a 5,67 milhões de moedas em tesouraria
- Empresa de Tom Lee já controla 4,7% do supply circulante do Ethereum
- Staking de 83% do tesouro projeta US$ 268 milhões anuais de receita
A BitMine Immersion Technologies, tesouraria pública de ethereum presidida por Tom Lee, voltou ao mercado e adicionou mais 52.203 ETH ao balanço na última semana, em uma operação avaliada em cerca de US$ 92 milhões. Com a nova aquisição, a empresa chegou a 5.672.956 ETH, valor próximo de US$ 10 bilhões nos preços atuais, segundo comunicado divulgado pela própria companhia.
A posição representa 4,7% do Ethereum circulante e aproxima a BitMine da meta de deter 5%. A tesouraria mantém ainda 205 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 13,3 milhões, em uma diversificação minoritária do caixa.
Oferta de ações preferenciais banca a compra
O aporte coincidiu com a estreia da BMNP na Bolsa de Nova York, classe de ações preferenciais com pagamento de dividendos lançada pela BitMine no início de junho. A operação levantou cerca de US$ 274 milhões, recursos destinados a novas compras de ETH e à expansão da infraestrutura de staking da companhia.
O papel abriu negociado a US$ 85 e na manhã desta segunda-feira era trocado por US$ 88,34, alta de 1,7% no pregão. A ação BMNR avançava 0,4%, mas seguia 90% abaixo do pico, refletindo cautela crescente do mercado.
O modelo replica em parte o playbook da Strategy, de Michael Saylor, que financia compras de Bitcoin via emissão de preferenciais como a STRC. A diferença é relevante, enquanto a STRC despencou abaixo do valor de paridade diante de dúvidas sobre o pagamento dos dividendos, a BitMine pretende usar o rendimento do próprio staking de Ethereum para honrar os cupons da BMNP.
Staking projeta US$ 268 milhões anuais
Hoje, a empresa já mantém 4,7 milhões de ETH em staking cerca de 83% do tesouro distribuídos por sua chamada Made in America Validator Network. Com todas as moedas em staking, a projeção aponta até US$ 268 milhões anuais em receita recorrente.
Esse fluxo é o argumento central da tese da BitMine. Diferentemente do Bitcoin, que não gera renda nativa, o ETH em validadores devolve novas moedas como recompensa. A discussão sobre como esse rendimento será distribuído, aliás, já mexe com o protocolo, propostas em estudo permitem ceder até 10% das recompensas entre operadores e camadas de aplicação, alterando a economia para grandes detentores como a própria BitMine.
ETH a US$ 1.741 pressiona balanço marcado a mercado
O preço do Ethereum opera nesta segunda-feira em torno de US$ 1.741, ou cerca de R$ 8.971 nas exchanges brasileiras, com alta de 0,9% em 24 horas. O ativo está 64% abaixo da máxima histórica de US$ 4.946 registrada em agosto, o que mantém o balanço da BitMine sob pressão de marcação a mercado mesmo com a estratégia agressiva de acumulação.
Para o investidor brasileiro, a movimentação tem dois efeitos práticos. Compras desse porte retiram ETH das exchanges para staking, reduzindo oferta e ampliando futuros movimentos de preço. O segundo é de leitura institucional. Em um momento em que baleias seguem acumulando ETH abaixo de US$ 2 mil enquanto ETFs spot registram saques, a tese de tesouraria de Tom Lee funciona como contrapeso simbólico à narrativa de fraqueza estrutural do segundo maior ativo cripto.
Lee reforçou que tokenização e inteligência artificial devem impulsionar forte crescimento da demanda por blockchain. A tese ainda precisa do preço do ETH cooperando e o gráfico, por enquanto, não ajuda.
