- BitMine adiciona 76.881 ETH em uma semana e chega a 5,62 milhões
- Tesouraria vale US$ 10,2 bilhões com prejuízo não realizado de US$ 9 bilhões
- Empresa já controla 4,66% da oferta e mira meta declarada de 5%
A BitMine Immersion Technologies seguiu reforçando sua tesouraria em Ethereum mesmo com o mercado pressionado nas últimas semanas. A empresa comprou mais 76.881 ETH nos últimos sete dias, segundo comunicado divulgado pela própria companhia nesta segunda-feira, aproveitando o período em que o ativo chegou a operar abaixo de US$ 1.600.
Com a nova rodada, o estoque total subiu para 5.620.754 ETH, adquiridos a um preço médio de US$ 1.718. Em valores atuais, considerando o ETH cotado a US$ 1.818, a posição equivale a cerca de US$ 10,2 bilhões mas carrega prejuízo não realizado próximo de US$ 9 bilhões, conforme dados da plataforma DropsTab.
Meta de 5% do supply se aproxima
A estratégia da BitMine é declarada, controlar 5% de toda a oferta circulante de Ethereum, hoje em 120,68 milhões de tokens. Com as compras recentes, a empresa já detém aproximadamente 4,66% do supply, faltando pouco para cravar o número simbólico.
O ritmo de acumulação chama atenção pela escolha do timing. Em vez de reduzir exposição em meio ao bear market, a tesouraria acelera as compras justamente quando o preço cai abaixando o custo médio e ampliando o peso relativo da empresa dentro do ecossistema. O movimento ecoa, em escala menor, a tese que Michael Saylor aplica há anos com Bitcoin na Strategy, transplantada agora para o segundo maior ativo cripto.
Outro pilar do modelo é o staking. A BitMine mantém mais de 4,1 milhões de ETH delegados à rede, posição avaliada em cerca de US$ 8,1 bilhões. O rendimento gerado pelo protocolo funciona como receita recorrente, ajudando a sustentar o caixa mesmo quando a cotação à vista cai. É a peça que diferencia a tesouraria de ETH de uma equivalente em Bitcoin, que não conta com yield nativo.
ETFs de Ether perdem tração nos EUA
Enquanto a BitMine compra, os ETFs à vista de Ethereum negociados nos Estados Unidos vivem cenário oposto. O segmento registrou quatro pregões consecutivos de saída líquida na semana passada, com retiradas diárias acima de US$ 60 milhões em vários dias desde o início de maio.
O iShares Ethereum Trust (ETHA), da BlackRock, segue como maior fundo do tipo no país, com US$ 4,75 bilhões em ativos líquidos e 2,36% do supply circulante. Para o investidor brasileiro, a referência local mais próxima é o QETH11, da Hashdex, que replica a exposição à criptomoeda na B3. O contraste entre captação institucional fraca e acumulação corporativa agressiva tendência observada também nas últimas semanas sugere visões divergentes entre alocadores tradicionais e tesourarias dedicadas.
Ethereum Foundation perde nove lideranças no ano
Além da pressão sobre o preço, o Ethereum enfrenta questionamentos estruturais. A estratégia de escalabilidade via layer-2 tem sido criticada porque desloca atividade e, portanto, taxas da mainnet para redes secundárias. Com menos ETH queimado a cada bloco, a dinâmica deflacionária construída desde o Merge perde força.
O cenário interno na Ethereum Foundation também adiciona ruído. Pelo menos nove executivos seniores, pesquisadores e contribuidores principais deixaram a fundação ao longo deste ano, em uma das maiores ondas de saída da história da organização. As demissões coincidem com reestruturação interna e debate aberto sobre governança e rumo estratégico do projeto, conforme publicações oficiais no blog da fundação.
Para quem opera ETH em exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit ou Binance Brasil, o movimento da BitMine funciona como sinal de demanda concentrada vindo do lado corporativo. Quanto mais ETH migra para tesourarias com horizonte longo e posição em staking, menor o supply líquido disponível para venda imediata fator que tende a amplificar reações de preço em ciclos futuros, tanto na alta quanto na baixa. Dados da retirada recente de baleias reforçam esse padrão de remoção do float negociável.
