- Bitwise comprou 77.097 HYPE por US$ 5,18 milhões via FalconX em 15 de junho
- ETF BHYP destina 10% das taxas de administração à compra e staking de HYPE
- Inflows acumulados do BHYP chegam perto de US$ 107 milhões desde maio
A gestora Bitwise voltou a engrossar sua tesouraria em HYPE, token nativo da Hyperliquid. Em 15 de junho, a firma adquiriu 77.097 HYPE por cerca de US$ 5,18 milhões através da corretora institucional FalconX, segundo dados rastreados pela Lookonchain e confirmados pela Arkham.
O movimento não é isolado. A Bitwise comprometeu 10% das taxas de administração do seu ETF à vista de Hyperliquid o BHYP para adquirir e fazer staking do token diretamente no balanço corporativo. Cada nova entrada de capital no fundo, portanto, dispara mais compras programáticas no mercado spot.
Como funciona o BHYP na NYSE
Lançado em maio na New York Stock Exchange, o BHYP foi um dos primeiros ETFs à vista de Hyperliquid aprovados nos Estados Unidos. O diferencial está no staking interno, através da divisão Bitwise Onchain Solutions, o fundo coloca seus HYPE para validar a rede e repassa o rendimento cerca de 2,25% ao ano para os cotistas.
O apetite tem sido consistente. Apenas nesta semana, o BHYP captou US$ 15,5 milhões em fluxo líquido, elevando o total acumulado para perto de US$ 107 milhões desde a estreia. Em pouco mais de um mês, o produto se firmou entre os ETFs cripto temáticos com maior tração de captação no mercado americano.
O desenho da Bitwise se sobrepõe a um mecanismo já existente dentro da própria Hyperliquid. A exchange destina aproximadamente 97% das taxas de negociação para um Assistance Fund onchain, que opera recompras automáticas de HYPE. Resultado, protocolo e maior emissor de ETF do ativo estão, ao mesmo tempo, comprando token de forma programática pressão dupla sobre a oferta circulante.
A16z e Grayscale disputam o mesmo token
A Bitwise não está sozinha nessa corrida. Carteiras vinculadas à venture a16z se tornaram a sexta maior detentora de HYPE do mundo, com posição acumulada superior a US$ 190 milhões nas últimas semanas, segundo dados onchain compilados pela Arkham Intelligence.
A concorrência entre emissores também aperta. A Grayscale lançou o ETF rival HYPG com taxa de patrocínio de apenas 0,29%, a mais baixa do segmento. Para evitar guerra de preços, a Bitwise combina recompra e staking, oferecendo rendimento adicional aos investidores.
Concentração de risco preocupa em mercado pouco testado
Para o investidor brasileiro acostumado ao ecossistema de ETFs cripto já listados na B3, o caso BHYP traz um precedente novo, a tesouraria da gestora fica diretamente atrelada ao desempenho do token que o próprio fundo carrega. Se o volume de negociação na Hyperliquid recuar ou o preço do HYPE cair, a receita do ETF e o valor do balanço da Bitwise caem juntos. É concentração de exposição em um único ativo ainda pouco testado em ciclos de baixa.
No mercado local, esse tipo de estrutura precisaria passar pelo crivo da CVM, que até aqui só autorizou ETFs cripto sobre Bitcoin e Ethereum na B3. Tokens como HYPE ainda carecem de estrutura regulatória para ETFs brasileiros, exigindo acesso por corretoras externas.
Vale comparar com outros movimentos institucionais recentes, como a estrutura de renda mensal do ETF BITA da BlackRock e o avanço do modelo de tesouraria da BitMine em Ethereum, que mira 5% da oferta do ETH. A tendência é clara, gestoras estão abandonando o papel passivo de custodiante e passando a atuar como compradoras ativas dos ativos que listam.
O HYPE havia atingido máxima histórica de US$ 75,96 no mês passado, conforme registrado no recorde apurado pelo BitNotícias. A pergunta agora é se Fidelity, VanEck e outros emissores americanos adotarão modelos semelhantes de recompra para acompanhar Bitwise e Grayscale na disputa pelo nicho.