BlackRock IBIT perde US$ 440 mi e ETF de Bitcoin soma 11 dias no vermelho

  • IBIT da BlackRock registra saída de US$ 440,3 mi em um único pregão
  • ETFs de Bitcoin somam 11 dias seguidos de saques e perdem US$ 4 bi
  • XRP e HYPE atraem fluxo positivo e quebram narrativa de fuga generalizada

Junho começou com a mesma pressão que fechou maio nos fundos listados de criptomoedas dos Estados Unidos. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram saída líquida de US$ 483,76 milhões na segunda-feira (1º), o 11º pregão consecutivo no vermelho. O acumulado da sequência ultrapassa US$ 4 bilhões e transforma o que parecia rebalanceamento técnico em um teste real de convicção institucional.

O IBIT, da BlackRock, voltou a concentrar o estrago. O fundo perdeu US$ 440,29 milhões em um único dia, o maior volume de saída da categoria. O FBTC, da Fidelity, teve resgate de US$ 37,29 milhões, enquanto o ARKB, da Ark & 21Shares, perdeu US$ 12,32 milhões. A única exceção entre os grandes foi o MSBT, do Morgan Stanley, com captação modesta de US$ 6,14 milhões — insuficiente para mudar o tom do dia.

O volume negociado nos ETFs de Bitcoin chegou a US$ 2,96 bilhões, e o patrimônio líquido total fechou em US$ 91,16 bilhões. Os números refletem o cenário de preço pressionado: o BTC opera nesta terça em torno de US$ 66.883, queda de 6,3% em 24 horas, equivalente a cerca de R$ 335 mil na cotação brasileira.

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Ether ETFs acumulam 15 pregões negativos

Os fundos de Ethereum seguem em situação ainda pior em termos de tempo. A categoria fechou o 15º dia consecutivo de saídas, com resgate líquido de US$ 44,44 milhões. A concentração se repete: o ETHA, da BlackRock, perdeu US$ 34,97 milhões, e o FETH, da Fidelity, viu sair US$ 9,47 milhões. O patrimônio total do segmento encerrou em US$ 11,14 bilhões, com volume diário de US$ 700 milhões.

O movimento dialoga diretamente com o preço à vista. O ETH caiu para US$ 1.896, retornando à zona psicológica abaixo de US$ 2 mil que historicamente atrai liquidações em cadeia. A leitura inevitável é que alocadores institucionais reduziram exposição ao par BTC-ETH de forma sincronizada, o que costuma anteceder estabilização — ou, no pior cenário, perda do suporte seguinte.

XRP e HYPE capturam fluxo seletivo

Enquanto isso, o mercado de altcoins enviou sinal oposto. Os ETFs de XRP captaram US$ 4,13 milhões, todo concentrado no XRPC, da Canary. Os produtos de HYPE, token da Hyperliquid, atraíram outros US$ 1,28 milhão via THYP, da 21Shares. Os fundos de Solana não registraram negociação no pregão. Pequenos em valor absoluto, esses fluxos importam porque chegam em meio à pior sequência de resgates dos vencidos da categoria.

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Can-Luca Köymen, estrategista do Sygnum Bank, avalia que os números agregados escondem um mercado mais segmentado. Segundo ele, altcoins específicos passaram a se mover por catalisadores próprios — receita de protocolo, mecânicas de recompra e exposição a setores como ativos do mundo real tokenizados e mercados de previsão. Os ingressos no ETF da Hyperliquid em meio à fuga generalizada do Bitcoin seriam o exemplo mais claro de que alocadores deixaram de tratar cripto como bloco único.

Reset de posição ou virada estrutural

A interpretação de Köymen é de que a fraqueza recente reflete um reset tático, não uma reversão estrutural do interesse institucional. Caso juros americanos, dólar e risco geopolítico se acomodem, o fluxo para Bitcoin pode voltar rápido. A tese tem peso porque a sequência atual coincide com discussões sobre manutenção de juros altos pelo Fed e revisão de exposição a ativos de risco nas mesas globais.

Para o investidor brasileiro, o sinal é duplo. De um lado, a venda massiva no IBIT pressiona o preço à vista que serve de referência para exchanges locais e para o BTC negociado em real. De outro, o apetite por XRP e HYPE em meio ao tombo confirma o que vinha sendo desenhado pela divergência entre o índice OTHERS e o par BTC: a próxima rodada de capital institucional pode entrar de forma cirúrgica, e não em bloco. O risco continua sendo a janela curta de tempo: 11 dias de saques em Bitcoin e 15 em Ether deixam pouca margem antes que o mercado precifique algo além de simples ajuste tático.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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