- Citi reduz meta de 12 meses do Bitcoin de US$ 112 mil para US$ 82 mil
- Banco zera projeção de captação líquida em ETFs de BTC
- Ethereum tem alvo cortado de US$ 3.175 para US$ 2.240 no mesmo relatório
O Citigroup reduziu de forma expressiva suas projeções para as duas maiores criptomoedas do mercado. Em relatório publicado nesta quarta-feira (1º), o banco americano baixou o alvo de 12 meses do bitcoin de US$ 112 mil para US$ 82 mil, e o do Ethereum de US$ 3.175 para US$ 2.240. É o segundo corte consecutivo do banco em 2026.
A revisão pega o mercado num momento delicado. O BTC opera cotado a US$ 58.441, equivalentes a R$ 302,6 mil, em queda de 0,6% nas últimas 24 horas. O ETH também segue pressionado, negociado a US$ 1.568, com desvalorização acumulada expressiva no trimestre.
Fluxo de ETF zerado muda tese institucional
A mudança mais relevante do relatório não está no número em si, e sim numa premissa do modelo. O Citi passou a assumir captação líquida zero nos ETFs à vista de bitcoin nos próximos 12 meses, contra a estimativa anterior de US$ 10 bilhões. Na prática, o banco deixou de tratar a demanda institucional via ETFs como vento a favor estrutural para o ativo.
O argumento é sustentado por dados recentes. Os ETFs à vista de BTC acumulam saída líquida próxima a US$ 3,3 bilhões no ano, invertendo o fluxo que sustentou boa parte das projeções otimistas de Wall Street em 2025. Semanas seguidas no vermelho, com destaque para resgates pesados no IBIT da BlackRock, corroem a narrativa de demanda institucional constante.
Alex Saunders, responsável pela pesquisa macro quantitativa e DeFi do banco, já havia sinalizado em março que o problema não é intrínseco ao bitcoin, mas conjuntural. A leitura se mantém: enquanto o fluxo institucional secar, os modelos de precificação perdem uma perna de sustentação.
Clarity Act travado no Senado americano
O segundo pilar do corte é regulatório. O Digital Asset Market Clarity Act, projeto que pretende definir competências entre SEC e CFTC sobre ativos digitais, continua sem avançar para votação de cloture no Senado. O Citi mantém essa variável como principal gatilho para uma eventual reversão do cenário.
A trava legislativa nos Estados Unidos tem efeito colateral no Brasil. Sem definição de status regulatório para tokens nos EUA, mesas institucionais brasileiras hesitam em ampliar exposição, o que reduz volume nas exchanges locais. A CVM também tende a esperar sinal americano antes de finalizar regras para stablecoins e ativos tokenizados no mercado nacional.
Cenário recessivo derruba piso para US$ 53 mil
O relatório também recalibrou o bear case. Em cenário recessivo combinado com saídas contínuas de ETFs, o piso projetado para o BTC caiu de US$ 58 mil para US$ 53 mil. Para o ETH, o pior caso desceu de US$ 1.198 para US$ 1.094. Ou seja, mesmo o valor atual do bitcoin já está próximo da faixa de estresse traçada pelo banco.
A trajetória de revisões é significativa por si só. O Citi começou 2026 com alvo de US$ 143 mil para o BTC, cortou para US$ 112 mil no primeiro trimestre e agora chega a US$ 82 mil. O ETH seguiu caminho parecido: partiu de US$ 4.304, passou por US$ 3.175 e agora projeta US$ 2.240. Três revisões, todas para baixo, num intervalo de seis meses.
Próxima inflexão depende do Senado ou dos ETFs
Analistas de mesa apontam dois gatilhos objetivos para uma reversão da tese. O primeiro é uma movimentação concreta no Senado americano sobre o marco cripto. O segundo é uma inflexão sustentada, de várias semanas, nos dados de fluxo dos ETFs à vista. Sem um dos dois, o modelo permanece ancorado em premissas mais defensivas.
No curto prazo, traders locais monitoram a faixa entre US$ 58 mil e US$ 60 mil como zona de decisão. Investidores mais capitalizados já apontam essa região como potencial parede de compra, enquanto a leitura on-chain sugere que o fundo do ciclo ainda pode não ter sido registrado. A perda desse patamar recolocaria em jogo o cenário recessivo projetado pelo Citi.