- Core Scientific avança na IA com crédito bilionário do Morgan Stanley
- Mineradora reforça data centers após sair do Chapter 11
- Setor migra para HPC enquanto demanda global por IA explode
A Core Scientific assegurou um novo fôlego financeiro ao fechar um acordo de crédito com o Morgan Stanley, capaz de alcançar até US$ 1 bilhão. A empresa afirmou que utilizará o financiamento para acelerar sua expansão em infraestrutura de data centers de alta densidade, cada vez mais exigida por cargas de trabalho de inteligência artificial e HPC.
A mineradora informou que o pacote inicial libera US$ 500 milhões, com a opção de dobrar o valor à medida que novos projetos avancem. A linha de crédito tem prazo de 364 dias e aplica juros calculados pela SOFR mais 2,5%, um custo considerado competitivo diante do forte apetite global por infraestrutura de computação.
A companhia destacou que o crédito servirá para compras de equipamentos, aquisição de imóveis e novos contratos de fornecimento de energia. Além disso, quer ampliar a capacidade operacional em regiões onde o consumo de IA cresce rapidamente.
Mineradora acelera migração para infraestrutura de IA
A empresa reiterou que, apesar da dependência histórica da mineração de Bitcoin, já converte “a maior parte” de seus data centers para suportar cargas de computação avançada. Dessa forma, busca reduzir a volatilidade de receitas causada pelos ciclos do mercado cripto.
A estratégia ganhou força após um período difícil. A Core Scientific pediu proteção contra falência em 2022, pressionada pela queda do Bitcoin, pelo aumento dos custos de energia e pelas perdas relacionadas à falida Celsius. No entanto, a mineradora saiu do Chapter 11 em janeiro de 2024 e voltou à Nasdaq após uma reestruturação profunda.
Com a reviravolta, a empresa passou a usar parte da infraestrutura para atender demandas de IA e HPC, além de suas operações tradicionais de mineração. Esse movimento se intensificou quando assinou um contrato de 12 anos com a CoreWeave para fornecer capacidade de data center.
Tentativa de aquisição fracassada e nova disputa por infraestrutura
Um ano após o acordo, a CoreWeave tentou adquirir a Core Scientific por cerca de US$ 9 bilhões em uma transação integralmente em ações. A proposta, porém, não obteve apoio suficiente dos acionistas e foi abandonada em outubro de 2025.

Enquanto isso, o setor segue em mudança acelerada. Outras mineradoras também ampliam sua presença em IA. Em julho, a Hive Digital Technologies iniciou sua expansão em HPC, projetando até US$ 100 milhões em receita anual com o novo modelo.
Poucas semanas depois, a TeraWulf assinou contratos de colocation avaliados em US$ 3,7 bilhões com a Fluidstack, incluindo obrigações de arrendamento em que o Google assumiu cerca de US$ 1,8 bilhão.
Com o novo crédito bilionário, a Core Scientific se posiciona para disputar espaço em um mercado que combina mineração, computação avançada e infraestrutura energética de grande escala de setores que crescem rapidamente à medida que a demanda global por IA dispara.

