- ETFs à vista de Bitcoin nos EUA registraram saída líquida de US$ 89,9 milhões na segunda-feira
- BTC opera cerca de 32% abaixo do recorde de US$ 126.080 marcado em outubro de 2025
- Fundos de Ether somam cinco pregões seguidos de resgates, com US$ 206 milhões drenados
A data não poderia ser mais simbólica. Faltando 24 horas para o primeiro aniversário da máxima histórica do Bitcoin, os ETFs à vista negociados nos Estados Unidos interromperam uma sequência de dois dias de captação e devolveram US$ 89,9 milhões ao mercado. O etf bitcoin americano voltou ao vermelho justo quando o ativo perdia a faixa dos US$ 86 mil.
Nas duas sessões anteriores de outubro, os mesmos fundos haviam atraído cerca de US$ 293 milhões. O volume financeiro total negociado na segunda-feira chegou a US$ 2,18 bilhões, segundo levantamento da SoSoValue.
No momento desta publicação, o Bitcoin era cotado a US$ 86.097, equivalente a R$ 429.167 com o dólar em R$ 4,98. A distância para o pico de US$ 126.080, registrado em 6 de outubro de 2025, permanece em torno de 32%.
Captação acumulada cai de US$ 61,3 bi para US$ 57,7 bi
O número mais revelador não é o resgate diário, e sim o estoque. Desde o topo de outubro do ano passado, a entrada líquida acumulada nos ETFs de Bitcoin americanos recuou 5,8%, saindo de aproximadamente US$ 61,3 bilhões para US$ 57,7 bilhões.
Em outras palavras: o dinheiro institucional que entrou na estrutura durante o rali de 2025 começou a sair em doses pequenas, mas constantes. Não houve capitulação. Houve erosão.
Esse padrão difere do que se viu em ciclos anteriores. Em 2022, a saída de capital institucional foi abrupta e concentrada em semanas. Agora, o movimento é lento, distribuído ao longo de meses, e convive com dias isolados de captação forte — o que sugere rotação de carteira mais do que abandono da tese.
ETFs de Ether acumulam cinco pregões no vermelho
Os fundos de Ether estão em situação pior. Foram cerca de US$ 51 milhões em resgates líquidos na segunda-feira, quinto pregão consecutivo de saída. No acumulado da sequência, US$ 206 milhões deixaram os produtos, cuja captação líquida total agora soma US$ 13,8 bilhões.
O ETH era negociado a US$ 2.713 (R$ 13.524), com queda de 0,3% em 24 horas. O ativo testa suporte relevante desde o fim de setembro.
Entre as altcoins, o quadro foi misto. Fundos de Solana perderam US$ 9,3 milhões e os de Zcash, US$ 3,6 milhões. Os ETFs de XRP ficaram zerados, após terem registrado US$ 3,3 milhões em saques na sexta-feira anterior.
Zcash sobe 3,7% enquanto majoritárias ficam de lado
Chama atenção o descolamento do ZEC, que avançou 3,7% nas últimas 24 horas e era negociado a US$ 1.375, mesmo com resgate no ETF. O ativo acumula uma das maiores valorizações do ano entre criptos de grande capitalização — rali que já foi questionado publicamente por figuras do setor.
AVAX subiu 4,1%, enquanto BNB caiu 0,7% e LTC recuou 1,6%. O Bitcoin ficou praticamente estável no período.
Investidor brasileiro opera com duas camadas de risco
Para quem compra cripto no Brasil, o fluxo dos ETFs americanos funciona como termômetro antecipado. Resgates sustentados nos fundos de Nova York costumam preceder pressão vendedora nas exchanges locais em questão de horas.
Há, porém, uma variável adicional. Com o dólar a R$ 4,98, parte da queda do Bitcoin em dólar vem sendo parcialmente amortecida para quem mede retorno em reais. A conta muda conforme o câmbio se mexe — e o calendário eleitoral brasileiro adiciona volatilidade própria ao BRL neste trimestre.
O ambiente regulatório local também pesa. As novas exigências do Banco Central sobre pagamentos internacionais com ativos virtuais estreitaram o caminho de arbitragem entre plataformas estrangeiras e nacionais, reduzindo a velocidade com que o investidor brasileiro reage a movimentos de fluxo lá fora.
Quem acompanha o livro de ordens das corretoras nacionais relata spreads mais largos em horários de baixa liquidez desde o início de outubro. É o tipo de detalhe que não aparece no gráfico diário, mas aparece na execução.



