ETFs de Bitcoin perdem US$ 649 milhões em um dia com IBIT no centro

  • IBIT da BlackRock concentrou US$ 448 mi dos US$ 649 milhões sacados na segunda
  • Bitcoin recuou 6,7% na semana e tocou mínima de US$ 76.201
  • Índice de Medo e Ganância despencou para 25, em zona de Medo Extremo

Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos voltaram a registrar resgates pesados. Os fundos perderam US$ 648,64 milhões em um único pregão, segundo dados da SoSoValue. O movimento se soma ao saldo negativo de mais de US$ 1 bilhão acumulado na semana anterior.

O IBIT, ETF de Bitcoin da BlackRock, puxou a fila dos resgates. Sozinho, o produto viu US$ 448 milhões deixarem suas cotas. O ARKB, da ARK Invest e 21Shares, registrou saída de US$ 110 milhões. Já o FBTC, da Fidelity, contabilizou US$ 63 milhões em retiradas.

No mercado à vista, o Bitcoin acompanhou a sangria. O ativo caiu 6,7% desde quinta-feira passada, quando operava em US$ 81.700, até tocar a mínima semanal de US$ 76.201. Nas últimas 24 horas, a queda foi mais branda, com o preço em US$ 76.850.

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O que explica a fuga

A leitura entre analistas converge para dois gatilhos. Agne Linge, conselheira da Wefi, atribuiu os resgates à estratégia de redução de risco adotada por gestores diante da escalada recente entre Estados Unidos e Irã. Para ela, o fluxo está correlacionado ao humor de risco global, não a um problema específico do Bitcoin.

Já Illia Otychenko, analista-chefe da CEX.IO, aponta a inflação americana como motor principal. Os dados divulgados na semana passada mexeram com as apostas sobre a política do Federal Reserve. A possibilidade de uma alta de juros ainda em 2026 voltou ao radar, esvaziando a tese de afrouxamento monetário que vinha sustentando ativos de risco.

Na plataforma de previsões Myriad, usuários atribuem apenas 2% de chance a um corte de 25 pontos-base pelo Fed em junho. Para um corte maior antes de julho, a probabilidade despenca para 4%. O cenário derruba uma das principais narrativas altistas do começo do ano.

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Otychenko ainda cita o post de Donald Trump sobre uma “calma antes da tempestade” como combustível extra para o de-risking. Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo, além da queda em dólar, o real volátil dos últimos pregões amplifica oscilações em exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, onde o spread tende a abrir em momentos de estresse global.

O que pode segurar o piso

Apesar do clima azedo o Índice de Medo e Ganância despencou para 25, em zona de “Medo Extremo”, há fatores estruturais que limitam o downside. A Strategy, de Michael Saylor, segue comprando Bitcoin via emissões do papel preferencial perpétuo STRC. Pesquisa da K33 sugere que essas operações vêm alimentando rallies recorrentes na metade de cada mês.

Otychenko, porém, pondera. A demanda da Strategy compensa parcialmente os resgates dos ETFs, mas não basta para sustentar uma recuperação consistente. Em janeiro e fevereiro, houve episódios em que as compras da empresa superaram a sangria dos fundos sem produzir reação relevante no preço.

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Os derivativos contam outra parte da história. O open interest agregado caiu de US$ 29 bilhões para US$ 26 bilhões em duas semanas, segundo a CryptoQuant. Ainda assim, o patamar permanece alto na comparação histórica recente, sinalizando que a especulação não secou. As funding rates voltaram ao território positivo após meses no negativo, mesmo depois das liquidações que levaram embora mais de US$ 670 milhões em posições na semana passada.

Para Otychenko, o fator decisivo está nos holders de longo prazo. Esses endereços vêm acumulando BTC há meses em volume superior ao da Strategy, mesmo com parte crescente do supply mergulhando em prejuízo não realizado.

“É um sinal de convicção de longo prazo”, afirma.

O comportamento ajuda a explicar por que o ativo ainda não rompeu suportes mais profundos, como o intervalo entre US$ 60 mil e US$ 65 mil mapeado por traders técnicos.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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