- ETFs de Ethereum à vista somam US$ 101,7 milhões em entradas líquidas
- ETHA da BlackRock captou US$ 37 milhões só em 8 de junho
- Fundo da BlackRock chega a US$ 6,5 bilhões em ativos sob gestão
Os fundos negociados em bolsa de ethereum à vista nos Estados Unidos retomaram o ritmo de captação em junho. O complexo atraiu US$ 101,7 milhões em entradas líquidas na primeira semana do mês, com a BlackRock abocanhando a maior fatia da demanda institucional.
Dados da plataforma SoSoValue mostram que o iShares Ethereum Trust (ETHA), produto da gestora americana, sozinho respondeu por US$ 37 milhões no pregão de 8 de junho. Naquele dia, o conjunto de ETFs de ETH registrou US$ 82,37 milhões em ingressos ou seja, a BlackRock concentrou praticamente metade do apetite institucional em uma única sessão.
ETHA vira peso-pesado com US$ 6,5 bilhões
O ETHA acumula cerca de US$ 6,5 bilhões em ativos sob gestão. O patamar consolida o fundo como o maior veículo regulado de exposição direta ao Ethereum no mercado americano, à frente de concorrentes como o FETH, da Fidelity, e o ETHE, da Grayscale.
A liderança da BlackRock não se limita ao produto original. Em março, a gestora lançou o ETHB, ETF que combina exposição à vista com recompensas de staking. O veículo estreou com mais de US$ 100 milhões em ativos, sinalizando demanda por rendimento sobre o ETH alocado.
Outros emissores não ficaram parados, mas os resultados são mistos. Fidelity e Grayscale registraram fluxos voláteis no mesmo período alguns dias positivos, outros negativos. A leitura de captação por emissor reforça que o capital institucional está se concentrando em poucos balcões, com a BlackRock à frente.
Fluxo é tático e não eufórico
Os ETFs de Ethereum à vista foram autorizados em julho de 2024. Em menos de dois anos, as entradas líquidas acumuladas pelo complexo se aproximam da casa de US$ 9 a US$ 11 bilhões.
O comportamento diário, porém, mostra um padrão menos eufórico. Sessões adjacentes a 8 de junho tiveram resultados mistos, inclusive com saques. A leitura é que mesas institucionais estão posicionando de forma tática entrando em janelas específicas de preço, e não em modo comprador automático.
O cenário macro ajuda a explicar a cautela. O Ethereum é negociado a US$ 1.637,10, ou cerca de R$ 8.534 na cotação desta quarta-feira, ainda longe das máximas históricas. A pressão sobre altcoins se intensificou após o último ciclo de liquidações em derivativos, e o ETH sofre concorrência direta do bitcoin como ativo de reserva preferido por tesourarias corporativas.
Concentração em poucas gestoras acende debate
Há um efeito colateral pouco discutido. Se uma parcela significativa do ETH em staking acabar sob controle de três ou quatro gestoras gigantes, o desenho de governança da rede muda. O Ethereum foi pensado para ser descentralizado na validação, e a chegada de produtos como o ETHB coloca essa premissa em xeque.
O movimento dialoga com a estratégia de empresas que vêm acumulando ETH diretamente em balanço. A BitMine acelerou compras e mira fatia de 5% do supply circulante pressão adicional sobre a liquidez livre do ativo.
Para o investidor brasileiro, a leitura tem duas camadas. A primeira é técnica, enquanto o fluxo institucional via ETF americano permanecer positivo, a tese de demanda estrutural pelo ETH ganha respaldo de balanço, não apenas de narrativa. A segunda é regulatória. A CVM colocou a tokenização no centro da agenda de 2026, e a aprovação de ETFs locais de cripto na B3 tende a seguir o roteiro testado pelo mercado dos EUA incluindo a concentração em poucas gestoras.
A captação de US$ 101,7 milhões em junho, isoladamente, não é recorde. Combinada ao acumulado próximo de US$ 11 bilhões desde o lançamento e ao avanço do mapa de liquidação do Ethereum, desenha um quadro de adoção institucional metódica não frenética.
