- EUA concentram cerca de 38% do hashrate global, mas dependem de 97% de hardware chinês.
- Projeto “Mined in America Act” propõe certificação nacional e incentivo à produção local.
- Lei também busca fortalecer a Reserva Estratégica de Bitcoin criada em 2025.
O governo dos Estados Unidos avançou para reduzir sua dependência da China no setor de mineração de Bitcoin.
O projeto “Mined in America Act”, apresentado em 30 de março, tenta levar a produção de equipamentos para dentro do país e reforçar a estratégia nacional para ativos digitais.
Dependência externa vira risco estratégico
Hoje, os EUA lideram a mineração global, com cerca de 37% a 38% do poder computacional da rede, entretanto, quase todo o hardware utilizado vem da China.
Por isso, o projeto propõe uma certificação voluntária chamada “Mined in America”. A ideia é simples: incentivar mineradoras a substituir equipamentos de origem estrangeira por máquinas produzidas localmente.
Além disso, o plano envolve apoio direto à indústria doméstica, órgãos como o NIST devem ajudar fabricantes locais a ganhar escala. Programas federais de energia também entram como suporte.
Segundo o gabinete do senador Bill Cassidy:
“cerca de 97% do hardware de mineração vem da China”.
Esse dado reforça o argumento central do projeto.
Entretanto, o problema não é apenas teórico, em 2024, autoridades dos EUA chegaram a apreender equipamentos chineses em portos. O episódio mostrou, na prática, o risco de interrupções na cadeia de suprimentos.
Além disso, a pressão econômica já existe, relatórios indicam que até 20% das operações globais operam no prejuízo. Portanto, qualquer atraso na reposição de máquinas pode afetar diretamente o setor.
Reserva de Bitcoin entra na estratégia industrial
Outro ponto central do projeto é a formalização da Reserva Estratégica de Bitcoin, criada por ordem executiva em 2025, ela reúne BTC apreendidos pelo governo.
Agora, o Congresso quer transformar essa iniciativa em lei, com isso, a política deixa de depender de um único governo.
Além disso, o projeto conecta mineração e política econômica, ou seja, o hardware passa a ser tratado como infraestrutura crítica, assim como semicondutores e energia.
Entretanto, há dúvidas sobre a execução, empresas chinesas já começaram a montar fábricas nos EUA para driblar tarifas. Portanto, ainda não está claro o que será considerado “americano”.
No cenário otimista, fabricantes locais ganham espaço e reduzem a dependência externa. Por outro lado, no cenário negativo, o custo e a eficiência mantêm o domínio chinês.
O que está em jogo
A proposta vai além do Bitcoin, ela coloca a mineração dentro da política industrial dos EUA.
Além disso, o crescimento do setor pressiona a infraestrutura elétrica, estimativas apontam que a mineração pode consumir até 2,3% da energia do país.
Portanto, a discussão envolve segurança, economia e energia ao mesmo tempo.
No fim, o projeto revela um dilema claro: os EUA lideram a mineração, mas não controlam as máquinas. Resolver esse desequilíbrio pode definir o futuro do setor no país.

