FDVV vs VYM: qual ETF de dividendos entrega mais ao investidor

  • VYM cobra taxa de 0,04% e soma US$ 94,6 bilhões sob gestão
  • FDVV paga yield de 2,8% mas concentra 29% em tecnologia
  • Drawdown máximo do fundo da Fidelity chega a 20,17% em 5 anos

A disputa entre os dois principais ETF de dividendos dos Estados Unidos voltou ao radar do investidor brasileiro que diversifica fora do real. De um lado, o Vanguard High Dividend Yield ETF (VYM), gigante de US$ 94,6 bilhões sob gestão. Do outro, o Fidelity High Dividend ETF (FDVV), com carteira menor mas viés de crescimento. Os números mostram caminhos distintos para quem busca renda passiva em dólar.

Apesar de competirem na mesma categoria, os dois fundos seguem filosofias opostas. O VYM replica um índice amplo de ações pagadoras, com cerca de 600 papéis. Já o FDVV usa um modelo proprietário que filtra empresas com potencial de dividendos e impõe limites setoriais, resultando em apenas 110 ações na carteira.

Custo, yield e retorno

A taxa de administração é onde a Vanguard abre vantagem mais clara. O VYM cobra 0,04% ao ano, enquanto o FDVV chega a 0,15% — quase quatro vezes mais caro. Para quem aporta valores altos e mantém posição por anos, essa diferença corrói parte significativa do retorno composto.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

No retorno de 12 meses até 18 de maio de 2026, o fundo da Vanguard entregou 23,6%, contra 20,65% do rival. O dividend yield, porém, inverte a leitura: o FDVV distribuiu 2,8% nos últimos 12 meses, enquanto o VYM ficou em 2,3%. Em valores absolutos por cota, o VYM pagou US$ 3,51 e o FDVV, US$ 1,66.

O teste de longo prazo também favorece a Fidelity em retorno total. Um aporte de US$ 1.000 no FDVV há cinco anos virou US$ 1.863. No VYM, o mesmo valor cresceu para US$ 1.704. A explicação está na composição setorial — e no custo embutido desse desempenho.

Carteira e perfil de risco

O FDVV carrega 29% em tecnologia, com posições de peso em Nvidia (7%), Apple (5,7%) e Microsoft (4,5%). É um fundo de dividendos que, na prática, surfou o rali da inteligência artificial. Lançado em 2016, ele se beneficiou diretamente do ciclo de IA que dominou as bolsas americanas desde 2023.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Já o VYM, criado em 2006, tem perfil mais defensivo. Serviços financeiros respondem por 20%, tecnologia por 15% e indústrias por 14%. As maiores posições incluem Broadcom (8%), JPMorgan Chase (3,33%) e ExxonMobil (2,71%). É um retrato clássico do investidor de valor americano.

O risco aparece no drawdown. Nos últimos cinco anos, o FDVV chegou a recuar 20,17% no pior momento. O VYM limitou a queda a 15,87%. O beta também confirma a leitura: 0,81 para a Fidelity e 0,73 para a Vanguard, ambos abaixo do S&P 500.

Leitura para o investidor brasileiro

No Brasil, ambos os fundos estão acessíveis via corretoras com conta internacional ou por BDRs e ETFs espelho na B3, embora a liquidez local seja limitada. Com o dólar pressionado e a Selic ainda em patamar elevado, a comparação direta com renda fixa em real continua desfavorável aos dividendos americanos no curto prazo — mas a tese muda para quem busca proteção cambial estrutural.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O paralelo com cripto também é inevitável. Enquanto investidores de dividendos discutem 0,5 ponto percentual de yield, o mercado de Bitcoin movimenta capital em outra velocidade — como mostra o fluxo recente de BlackRock e Coinbase Prime. Ainda assim, a lógica de exposição a gigantes como Nvidia e Microsoft via FDVV se cruza com o argumento de quem aposta em ETFs como veículo principal de alocação institucional.

Quem prioriza custo baixo, diversificação ampla e exposição a financeiras tende ao VYM. Quem aceita pagar mais caro por concentração em tech e yield maior fica com o FDVV. A escolha depende menos de qual é melhor e mais de qual erro o investidor está disposto a correr. Os dados completos estão na página oficial do VYM.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.