- Bitcoin opera a US$ 60.212, 53% abaixo do topo de outubro de 2025
- Fidelity projeta possível fundo do ciclo em novembro de 2026
- CLARITY Act e corte do Fed estão na lista de gatilhos
O Bitcoin negociado em US$ 60.240 (R$ 310.928) acumula queda de cerca de 53% desde o pico histórico de US$ 126.200 registrado em outubro de 2025. Um relatório da Fidelity tratou o quadro como um típico inverno cripto e elencou cinco condições que, historicamente, antecederam o fim de ciclos de baixa anteriores. A leitura interessa diretamente ao investidor brasileiro, que vê o ativo derreter em reais ao mesmo tempo em que a regulação local fecha o cerco sobre fundos cripto e stablecoins.
A gestora norte-americana sustenta que tetos e fundos do BTC se repetem em janelas de aproximadamente quatro anos desde 2011. Como o último piso de bear market apareceu em novembro de 2022, o padrão sugere outro fundo por volta de novembro de 2026 se o ciclo seguir intacto. A própria Fidelity ressalva que o modelo serve para leitura macro, não para cravar entrada no preço.
Halving de abril de 2024 segue no centro da tese
O motor desse calendário, segundo a gestora, é o halving. A redução programada da emissão corta pela metade a entrada de novas moedas a cada quatro anos. O evento mais recente, em abril de 2024, derrubou a recompensa por bloco para 3,125 BTC. A lógica é simples, se a demanda sustenta ou cresce contra uma oferta que encolhe, o preço tende a reagir desde que outros gatilhos venham junto.
O problema é que o ciclo, dessa vez, tem desafiantes. Brad Garlinghouse, da Ripple, atribuiu parte da pressão recente à alavancagem da Strategy, de Michael Saylor, e ETFs spot acumulam saques bilionários em junho. A discussão se o cronograma de quatro anos morreu segue aberta entre analistas.
CLARITY Act tem audiência marcada para 17 de julho
O segundo gatilho é regulatório. A Fidelity recorda que a aprovação dos ETFs spot de Bitcoin pela SEC em janeiro de 2024 marcou o início da última grande perna de alta. Agora, o foco se volta ao CLARITY Act, projeto que divide a supervisão de ativos digitais entre SEC e CFTC. O texto já passou pela Câmara em 2025, avançou no Comitê Bancário do Senado e tem audiência marcada para 17 de julho. A Grayscale chegou a alertar que, sem a lei, a queda do Bitcoin pode se aprofundar.
No Brasil, o movimento contrário se desenha em paralelo. O Banco Central pretende travar saques de stablecoins por 24 horas e já proibiu operações de câmbio com fundos cripto, o que adiciona fricção justamente quando o mercado global espera o oposto vindo de Washington.
Fed segue sem pista clara sobre corte de juros
A política monetária norte-americana é o terceiro pilar listado. Cortes de juros costumam aliviar o custo do capital e empurrar investidores para risco cripto incluído. A inflação ainda preocupa em meados de 2026 e vozes como a de Kashkari falam até em alta de juros, em vez de corte. Para a Fidelity, qualquer reação relevante de preço deve vir antes do anúncio oficial, já que o mercado costuma antecipar o movimento.
Tokenização, IA e stablecoins disputam o papel de narrativa nova
O quarto fator é o caso de uso disruptivo. NFTs e memecoins puxaram o ciclo de 2019 a 2021. Em 2026, a gestora destaca três frentes em ebulição, tokenização de ativos reais (RWA), infraestrutura cripto voltada à inteligência artificial e stablecoins, impulsionadas pela aprovação do GENIUS Act em 2025. O USDT já superou o Ethereum em capitalização, sinal do peso ganho pelo segmento.
O quinto gatilho é a adoção institucional. Fidelity admite que reserva americana de Bitcoin impulsionou o BTC, mas fluxo institucional não sustentou novo bull market. A virada, segundo a gestora, viria de um movimento inesperado uma Magnificent Seven anunciando posição relevante em Bitcoin, algo não visto desde a Tesla em 2021, conforme detalhado no centro de pesquisa da Fidelity Digital Assets.
