- Grayscale registra quarta emenda do ETF de Hyperliquid na SEC
- Nasdaq certifica listagem do fundo sob o ticker HYPG
- Seed capital de US$ 113 milhões virá da Hyper Holdings Global
A Grayscale deu mais um passo concreto para colocar um ETF de hyperliquid no pregão americano. A gestora protocolou junto à Securities and Exchange Commission (SEC) a quarta emenda do registro do produto, ao mesmo tempo em que a Nasdaq oficializou a aceitação do pedido de listagem.
O movimento foi confirmado em 27 de maio por carta de certificação assinada por Eun Ah Choi, vice-presidente sênior da área regulatória da Nasdaq. O documento atesta o recebimento do Formulário 8-A referente ao Grayscale Hyperliquid Staking ETF Shares e formaliza a notificação para registro do papel. O fundo será negociado sob o ticker HYPG.
O analista da Bloomberg James Seyffart, que monitora o pipeline de ETFs cripto, foi um dos primeiros a destacar a atualização. Em publicação no X, ele afirmou que o lançamento está “definitivamente mais perto”, embora a taxa de administração ainda não tenha sido divulgada. A ausência desse dado costuma ser o último item a ser definido antes da estreia.
Seed capital de US$ 113 milhões
O detalhe mais relevante da emenda, segundo Seyffart, é o aporte inicial. Cerca de 2 milhões de tokens HYPE — equivalentes a aproximadamente US$ 113 milhões — serão alocados pela Hyper Holdings Global LP como capital semente do fundo. Valores dessa magnitude são incomuns em seed money de ETFs cripto recém-aprovados e sinalizam que a gestora chega ao lançamento já com lastro substancial.
A estrutura proposta vai além da simples exposição ao preço. O documento depositado na SEC prevê que o trust possa fazer staking dos tokens custodiados e repassar as recompensas aos cotistas. A cláusula condiciona a operação ao entendimento de que o arranjo cumpre normas tributárias, de valores mobiliários e regulatórias aplicáveis.
Paralelo com os ETFs de Ethereum
A inclusão de staking ecoa um debate que tomou conta dos ETFs spot de Ethereum nos últimos meses. Emissores americanos passaram a testar mecanismos para entregar parte do rendimento de validação aos investidores, algo inicialmente vetado pela SEC sob a gestão de Gary Gensler. A virada regulatória abriu espaço para que ativos de prova de participação ganhassem produtos mais sofisticados nas bolsas tradicionais.
Para o investidor brasileiro, a diferença prática é direta: um ETF com staking embutido replica, dentro de uma estrutura regulada, algo que hoje só é acessível via exchanges ou wallets — com todos os riscos operacionais de cada caminho. Quem opera HYPE pela B3 ainda não tem essa porta aberta, já que a CVM exige listagem específica para BDRs ou cotas de fundos negociados no exterior, e nenhum emissor local sinalizou interesse pelo ativo até agora.
Contexto da aposta em Hyperliquid
A movimentação se soma a uma série de iniciativas recentes da Grayscale em torno do ecossistema. A gestora já publicou relatório dedicado ao protocolo, no qual classifica a Hyperliquid como candidata a liderar a próxima geração de DeFi on-chain — argumento agora reforçado pelo investimento direto no produto financeiro.
Nas últimas semanas, porém, disclosures de mercado mostraram a Grayscale vendendo posições milionárias em HYPE pelo balcão, ajuste comum quando uma gestora precisa equilibrar exposição entre veículos privados e o novo trust público. A operação simultânea — vender no mercado spot e estruturar o ETF — sugere realocação interna, não desinteresse pelo ativo.
O HYPG entra em uma fila crescente de produtos cripto fora do duo Bitcoin–Ethereum. A VanEck lançou recentemente o VBNB, primeiro ETF spot de BNB nos EUA, enquanto os ETFs de XRP somam US$ 1,41 bilhão em ativos sob gestão. Cada aprovação consolida o entendimento de que a SEC, sob a nova diretoria, está disposta a discutir um espectro mais amplo de tokens em formato regulado.
A próxima etapa do calendário envolve a definição da taxa de administração e a janela final de revisão pela SEC. Com a Nasdaq já tendo emitido o aviso de listagem e o registro depositado, o produto entra na reta final antes da estreia.
