- Crise no WLFI expõe investidores bloqueados e sem respostas
- Controle dos criadores derruba confiança e preço do token
- Promessas falhas aumentam pressão política e frustração dos detentores
Os investidores do TrumpCoin (WLFI) enfrentam uma das fases mais tensas desde o lançamento do projeto. Muitos aplicaram US$ 550 milhões esperando lucros rápidos. Agora vivem incerteza e desespero para vender suas posições.
A euforia inicial surgiu quando o WLFI disparou até US$ 0,33. O salto transformou compras pequenas em ganhos expressivos no papel. Depois veio o choque.
Os criadores do World Liberty Financial, ligados à família Trump, mantiveram controle total sobre quem pode vender e quando. Nada avança desde então.
Detentores cobram respostas enquanto o preço despenca
A equipe liberou apenas 20% dos tokens e prometeu uma votação para decidir quando o restante poderia circular. Porém, isso nunca aconteceu.
A falta de clareza irrita os detentores. Muitos recorrem ao fórum oficial pedindo, quase implorando, para liberar os tokens bloqueados.
Eles observam o valor do WLFI cair 54% em cinco meses.
“Quase 80% ainda estão bloqueados após dois anos“, disse um investidor. “A paciência virou negligência.” Outro foi direto: “Nós viramos reféns.”
Os apelos seguem ignorados. Enquanto isso, os criadores aprovaram a distribuição de mais WLFI como incentivo. Essa medida pode empurrar o preço ainda mais para baixo.
A família Trump não respondeu aos pedidos de esclarecimento. O clima piora a cada dia sem atualizações.
Estrutura do protocolo aumenta a frustração dos compradores
O modelo da World Liberty Financial cria obstáculos inesperados. Os detentores não controlam o protocolo, apesar de o token parecer, inicialmente, um ativo de governança.
As propostas passam antes pelos cofundadores, que podem bloqueá-las sem justificativa. Além disso, o WLFI não oferece direito a lucros, dividendos, airdrops ou qualquer participação financeira.
Esse ponto surpreendeu muitos compradores, que esperavam algo semelhante a outros projetos do mercado. Hoje, eles têm poucas opções além de esperar.
Até Justin Sun, fundador da Tron, sofreu bloqueios. Ele comprou US$ 75 milhões em WLFI e tentou mover parte quando os tokens foram liberados. Os criadores congelaram tudo.
Sun prometeu comprar mais para demonstrar apoio. Isso não impediu o bloqueio, e o valor do ativo caiu desde então.
Entre os apoiadores ainda existe otimismo. “As pessoas não entendem o futuro da WLFI”, disse um defensor.
Mas cresce a percepção de que o protocolo anda devagar demais, considerando seu valor de mercado de US$ 4 bilhões.
A World Liberty afirma democratizar finanças, porém seus produtos beneficiam apenas os cofundadores. O maior sucesso é a stablecoin USD1, hoje a quinta maior do mercado.
Os lucros do USD1, segundo documentos, vão 100% para a família Trump e os Witkoffs, menos US$ 15 milhões para despesas.
A situação complica também o ambiente político. O envolvimento de Trump com criptomoedas virou obstáculo para o Clarity Act, projeto que busca regular o setor.
O senador Cory Booker criticou duramente o caso. “É como se eu criasse uma moeda Cory”, afirmou. “A situação é ridícula.”
Em meio às tensões, a World Liberty planeja um fórum presencial em 18 de fevereiro, em Mar-a-Lago. Resta saber se alguém defenderá os interesses dos detentores de WLFI.

