Mercado de crédito com Bitcoin pode movimentar US$ 3 trilhões

Mercado de crédito com Bitcoin pode movimentar US$ 3 trilhões
  • Mercado de crédito digital com Bitcoin já alcança US$ 10 bilhões
  • Executivos projetam captação de 1% do mercado global de US$ 300 trilhões
  • Novos instrumentos permitem rendimento sem exposição à volatilidade

Um novo segmento de US$ 10 bilhões emergiu no mercado cripto em menos de um ano. Durante o Consensus Miami, executivos de tesourarias de Bitcoin apresentaram uma oportunidade que pode alcançar US$ 3 trilhões o equivalente a capturar apenas 1% do mercado global de crédito, avaliado em US$ 300 trilhões.

O crédito digital representa uma nova categoria de instrumentos financeiros lastreados em Bitcoin. Diferente dos produtos tradicionais, esses títulos permitem que investidores ganhem rendimento fixo enquanto reduzem a exposição às oscilações de preço da criptomoeda. Matt Cole, CEO da Strive, destacou a velocidade da adoção, “Estamos vendo crescimento exponencial. Fora dos ETFs de Bitcoin, é o segundo lançamento de produto mais rápido na história dos mercados de capitais.”

Estrutura perpétua atrai institucionais

Os instrumentos funcionam como ações preferenciais perpétuas pagam rendimento regular sem data de vencimento definida. Em vez de serem garantidos por receitas ou fluxo de caixa de empresas, como ocorre no mercado tradicional, o lastro vem dos bitcoins mantidos no balanço patrimonial das companhias emissoras.

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A Strategy, maior detentora pública de Bitcoin do mundo, foi pioneira nessa categoria no ano passado. A Strive seguiu como segunda emissora pública com seu produto SATA. Para investidores brasileiros acostumados com títulos de renda fixa, o conceito se assemelha a debêntures, mas com Bitcoin como garantia em vez de ativos convencionais.

Katherine Dowling, presidente da Bitcoin Standard Treasury Company, confirmou que sua empresa está preparando a entrada de aproximadamente 30.000 bitcoins em seu balanço.

“O crédito digital é tremendamente importante. Nosso CIO tem experiência em finanças estruturadas e estamos avaliando produtos diversos para atender diferentes perfis de investidores”, afirmou durante o painel.

Fundos facilitam acesso ao mercado brasileiro

A Nakamoto identificou a tendência cedo e estruturou um fundo para dar acesso institucional aos produtos de crédito digital. Amanda Fabiano, COO da empresa, explicou que muitos investidores não conseguem comprar os instrumentos diretamente devido a restrições regulatórias ou operacionais.

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“Criamos uma estrutura que funciona para todos, incluindo aqueles que não podem adquirir esses títulos diretamente”, disse Fabiano.

A Nakamoto adquiriu recentemente a BTC Inc. e a UTXO Management, expandindo sua presença no segmento. A empresa ainda avalia se lançará seu próprio produto de ação preferencial, considerando sua estrutura como companhia operacional com tesouraria própria.

Para o mercado brasileiro, onde investidores já estão familiarizados com ETFs de Bitcoin negociados localmente, os produtos de crédito digital podem representar uma alternativa de menor volatilidade. Enquanto ETFs seguem as oscilações diretas do preço do Bitcoin, os instrumentos de crédito oferecem rendimento fixo com proteção parcial contra quedas.

Expansão pode recriar sistema financeiro

Kwasi Kwarteng, ex-ministro da Fazenda do Reino Unido e atual presidente executivo da Stack, apresentou a visão mais ambiciosa durante o evento. Segundo ele, existem cerca de 200 empresas de tesouraria de Bitcoin atualmente, comparadas a 5.000 bancos apenas nos Estados Unidos.

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“Se o Bitcoin se tornar uma moeda financeira global, e acredito que vai, há espaço para muito mais empresas de tesouraria”, afirmou Kwarteng.

Ele foi categórico sobre o futuro, “É uma escolha binária. Ou você acredita que o Bitcoin vai decolar ou que é um esquema Ponzi. Não há meio-termo.”

O executivo britânico destacou que 1% do mercado global de crédito representaria US$ 3 trilhões quase o dobro da capitalização atual do Bitcoin, que gira em torno de US$ 2 trilhões.

“Teremos crédito digital, teremos toda a gama de oportunidades. Essencialmente vamos criar ou recriar o sistema financeiro global baseado em Bitcoin”, projetou.

O crescimento acelerado do segmento coincide com o aumento do interesse institucional em cripto. Bancos e gestoras tradicionais buscam formas de exposição ao Bitcoin que se encaixem em suas estruturas regulatórias. Os produtos de crédito digital atendem essa demanda ao oferecer instrumentos familiares ao mercado tradicional, mas com lastro em ativos digitais.

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No Brasil, onde a tokenização avança rapidamente, o modelo pode inspirar produtos locais similares. A combinação de rendimento fixo com exposição controlada ao Bitcoin atende um perfil conservador que ainda hesita em investir diretamente na criptomoeda devido à volatilidade.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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