- Cripto entra na economia real com bancos, ETFs e stablecoins operando em escala institucional.
- Bitcoin se consolida no mainstream, apoiado por ETFs, tesourarias corporativas e regulação mais clara.
- Finanças híbridas ganham força e redes como Ethereum e Solana disputam a camada de liquidação global.
A previsão para o mercado cripto em 2026 aponta menos ruptura e mais integração. Essa é a principal conclusão do relatório Digital Asset Outlook 2026, divulgado pela CoinShares International Limited. O documento indica que o setor entra em uma fase de consolidação, marcada pela aproximação definitiva entre ativos digitais e finanças tradicionais.
De acordo com a CoinShares, o conceito de finanças híbridas descreve esse novo estágio. A ideia parte da fusão entre blockchains públicas e sistemas financeiros clássicos. Juntas, essas estruturas criam uma infraestrutura inédita, impossível de ser construída por apenas um dos lados.
Para Jean-Marie Mognetti, diretor-executivo da empresa, os criptoativos deixaram de operar à margem da economia. Eles passaram a integrar fluxos financeiros reais, com uso institucional crescente e aceitação regulatória mais clara.
Os números já refletem essa mudança. Stablecoins movimentam volumes que rivalizam com Visa e Mastercard somadas. Projeções do Tesouro dos Estados Unidos estimam um mercado de US$ 3 trilhões até 2030, impulsionado por pagamentos e liquidação internacional.
Além disso, os ativos tokenizados avançaram ainda mais rápido. Liderados por crédito privado e títulos do Tesouro americano, esses instrumentos mais que dobraram de tamanho em 2025. A tokenização deixou de ser piloto e passou a integrar portfólios institucionais.
No universo descentralizado, a escala também chama atenção. Um único protocolo de crédito, o Aave, já reúne liquidez comparável à de dezenas de bancos médios norte-americanos. Esse dado reforça o peso sistêmico do setor.
Mercado cripto em 2026
A entrada definitiva do sistema financeiro tradicional acelera o processo. O fundo tokenizado BUIDL, da BlackRock, os depósitos tokenizados do J.P. Morgan na rede Base e a stablecoin PYUSD, do PayPal, ilustram essa virada prática.
O Bitcoin acompanha esse movimento de institucionalização. Os ETFs spot listados nos Estados Unidos já captaram mais de US$ 90 bilhões. Ao mesmo tempo, empresas listadas ampliaram reservas corporativas, superando um milhão de unidades.
Além disso, o mercado de derivativos amadureceu. As opções ganharam profundidade, planos de aposentadoria flexibilizaram regras e o governo norte-americano estabeleceu uma reserva estratégica do ativo, sinalizando reconhecimento oficial.
Assim, para 2026, a CoinShares projeta mais avanços. Corretoras tradicionais devem ampliar alocações formais em ETFs. Grandes provedores de previdência podem liberar exposição direta. Bancos custodiais tendem a oferecer liquidação institucional nativa.
O relatório também traça três cenários de preço. Um pouso suave da economia global, com ganhos de produtividade, poderia levar o Bitcoin além de US$ 150 mil. Um crescimento moderado sugere faixa entre US$ 110 mil e US$ 140 mil.
Já um ambiente de estagflação ou recessão pode pressionar preços no curto prazo. Ainda assim, a CoinShares vê recuperação posterior, sustentada pela adoção estrutural e pela escassez programada do ativo.
Desse modo, a disputa pela camada de liquidação das finanças híbridas se intensifica. O Ethereum mantém liderança, apoiado por entradas bilionárias em ETFs e projetos institucionais ativos.
A Solana registrou um retorno expressivo. Desde 2024, o suprimento de stablecoins na rede saltou de US$ 1,8 bilhão para cerca de US$ 12 bilhões, reforçando seu uso em pagamentos e DeFi.
Destaque
Outro destaque é a Hyperliquid. Com equipe enxuta, a plataforma já processou quase US$ 3 trilhões em volume acumulado. O modelo de redistribuição de receitas atraiu atenção do mercado.
De acordo com James Butterfill, 2026 será definido por uma reconstrução silenciosa do sistema financeiro. Segundo ele, reguladores e instituições passaram a tratar o cripto como parte integrante da indústria.
Desse modo, no campo regulatório, surgem abordagens distintas. O MiCA, na União Europeia, oferece segurança jurídica para emissão, custódia e negociação. Isso reduz incertezas para empresas e investidores.
Nos Estados Unidos, o GENIUS Act define stablecoins de pagamento como não valores mobiliários. A exigência de lastro em Treasuries cria nova fonte de demanda por dívida pública.
Na Ásia, o foco recai sobre prudência. Hong Kong avança em regras inspiradas em Basileia, com exigências de capital previstas para entrar em vigor em janeiro de 2026.
Além disso, o relatório ainda aponta mudanças estruturais adicionais. Desse modo, mineradoras de Bitcoin fecharam cerca de US$ 65 bilhões em contratos de computação de alta performance e inteligência artificial, diversificando receitas além da mineração.
Assim, outro sinal vem dos mercados de previsão. A Intercontinental Exchange, controladora da Bolsa de Nova York, investiu até US$ 2 bilhões na Polymarket. As probabilidades passaram a competir com pesquisas tradicionais.


