- Bitcoin mantém estabilidade apesar de tensões globais e tarifas dos EUA
- Analistas veem espaço para alta rumo aos US$ 108 mil
- Riscos geopolíticos já parecem totalmente precificados pelo mercado
O Bitcoin manteve estabilidade acima de US$ 94 mil nesta quarta-feira, mesmo com a crescente tensão em torno das possíveis tarifas comerciais dos Estados Unidos. O mercado avaliou riscos geopolíticos, mas continuou apostando na força dos ativos digitais.
A criptomoeda abriu o pregão de Wall Street perto de US$ 95 mil, após uma sequência de sessões marcadas por forte volatilidade e rápida recuperação. Apesar das incertezas, o ativo mostrou resiliência em meio às dúvidas sobre política externa e decisões econômicas.
A movimentação seguiu o ritmo do início da semana, quando o preço do Bitcoin tocou US$ 96,5 mil antes de perder força. Os gráficos apontaram uma desaceleração natural após a alta, porém sem indicar mudança brusca de tendência.

Tensões globais entram do radar dos investidores
Os investidores acompanharam com atenção a escalada das tensões envolvendo EUA, Venezuela, Irã e Groenlândia, mas os indicadores sugeriram que o mercado já havia absorvido parte desses riscos. Ainda assim, o ambiente permanece sensível a qualquer surpresa vinda da Suprema Corte americana sobre tarifas.
Enquanto isso, outro fator ganhou destaque, a disputa pública entre o governo dos EUA e o Federal Reserve. O episódio levou bancos centrais a demonstrarem apoio ao presidente do Fed, Jerome Powell, reforçando a percepção de instabilidade na política monetária.
Mesmo assim, os futuros do S&P 500 atingiram novas máximas e o ouro renovou recordes, chegando a US$ 4.639 por onça. Muitos analistas esperavam que o Bitcoin seguisse a mesma direção, o que se concretizou quando o ativo recuperou a marca de US$ 95 mil.

Segundo a QCP Capital, o movimento refletiu uma possível migração de capital para ativos digitais, impulsionada pelo temor de desvalorização da moeda fiduciária nos EUA. A empresa também destacou que as injeções de liquidez do Fed fortaleceram o apetite por risco.
Mercado já precifica riscos e vê chance de retomada
Para a QCP, mesmo uma eventual declaração de ilegalidade das tarifas internacionais defendidas por Donald Trump não deve alterar a tendência principal. O mercado, segundo a empresa, já estaria “um passo à frente”.
Outros analistas também enxergaram sinais positivos. Charles Edwards, da Capriole Investments, afirmou que o Bitcoin apresentou seu “primeiro movimento técnico realmente forte” em semanas. Ele destacou que o fechamento acima de US$ 93,5 mil pode abrir caminho para uma alta até US$ 108 mil.

O trader Jelle identificou o rompimento de um padrão de triângulo descendente, mas pediu cautela. Já CrypNeuvo alertou para uma possível rejeição na EMA de 50 semanas, perto de US$ 97.650, embora reconheça que superar US$ 100 mil invalidaria o risco.

No fim, a leitura predominante aponta que qualquer nova queda tende a virar oportunidade de compra nas criptomoedas promissoras, caso nenhum evento inesperado mude o cenário atual. A estabilidade do Bitcoin acima de US$ 94 mil reforça essa percepção entre os investidores.

