Nakamoto desaba 99,5% e vende mais Bitcoin após prejuízo de US$ 239 milhões

  • Ação NAKA fecha em US$ 0,16 e acumula queda de 99,5% no ano
  • Empresa vendeu 284 BTC para cobrir capital de giro no trimestre
  • Tesouraria ainda mantém 5.000 BTC avaliados em US$ 400 milhões

A Nakamoto (NAKA), antiga empresa do setor médico que se reposicionou como tesouraria de bitcoin, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de aproximadamente US$ 239 milhões. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, derrubou a ação para uma nova mínima histórica e expôs a fragilidade do modelo de companhias que dependem quase exclusivamente da valorização do BTC para sustentar seu balanço.

Os papéis caíram mais de 4% logo após a abertura do pregão e tocaram US$ 0,16, antes de se recuperarem marginalmente para US$ 0,166. No acumulado de 52 semanas, o tombo passa de 99,5% ante o pico de US$ 34,77. Trata-se de uma destruição de valor que coloca a empresa entre os piores desempenhos do setor de tesourarias corporativas de bitcoin.

Venda de Bitcoin pressiona narrativa

Para sustentar o caixa, a companhia liquidou 284 BTC no trimestre, o equivalente a cerca de US$ 22 milhões ao preço atual da criptomoeda. O volume supera os US$ 20 milhões vendidos no quarto trimestre de 2025 e contradiz parcialmente o discurso de acúmulo perpétuo que sustenta a tese de investimento dessas empresas.

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Em comunicado, o CEO David Bailey classificou o período como “transformacional” e afirmou que a Nakamoto agora opera como uma “companhia operacional de Bitcoin”. Em publicação no X, o executivo defendeu a postura ativa, “Bitcoin não está parado no nosso balanço. Acreditamos que ele pode ser administrado estrategicamente”.

A receita trimestral somou modestos US$ 2,7 milhões, com 41% ou US$ 1,1 milhão vindos de uma estratégia ativa com derivativos. Outros 40 BTC, equivalentes a US$ 3,2 milhões, foram vendidos como receita de prêmios obtidos nessas operações. Mesmo após as liquidações, a tesouraria preserva mais de 5.000 BTC, avaliados em cerca de US$ 400 milhões.

Contágio no setor de tesourarias

O caso Nakamoto se soma a um cenário desconfortável para empresas que adotaram bitcoin como reserva de valor central. A KULR, por exemplo, transferiu recentemente 300 BTC para a Coinbase Prime com prejuízo contábil de US$ 17,8 milhões, num movimento que a comunidade interpretou como sinal de estresse de liquidez. A própria Strategy, de Michael Saylor, recorreu a instrumentos como o STRC para financiar novas compras sem precisar tocar no estoque principal.

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O denominador comum é o preço do BTC. A criptomoeda é negociada em US$ 79.056, mas ainda 35,8% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080. Para companhias que captaram capital com a tese de que o ativo só sobe, a correção atual revela um problema estrutural, quando o ciclo vira, sobra pouco fluxo operacional para amortecer a queda no preço do ativo principal.

Leitura para o investidor brasileiro

No Brasil, a discussão tem menos urgência regulatória não há listadas com tesouraria comparável à da Nakamoto na B3 mas o caso serve de termômetro. Fundos brasileiros expostos a ações de mineradoras e tesourarias via BDRs ou ETFs internacionais carregam o mesmo risco assimétrico, ganham com a alta, mas amplificam a queda quando o BTC recua.

A leitura técnica também pesa. Analistas como Peter Brandt vêm alertando para uma armadilha em torno dos US$ 80 mil, enquanto outros operadores aguardam confirmação de fundo antes de aumentar posição. Para o investidor que olha o setor de longe, o ponto central permanece, empresas-veículo de bitcoin operam com beta amplificado e tendem a sofrer mais que o ativo subjacente em correções prolongadas.

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Bailey afirma que o foco para o restante de 2026 será execução, escala dos negócios operacionais e “convicção de longo prazo”. Resta saber se o mercado dará tempo para a tese amadurecer.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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