- Deribit acumula US$ 31,3 bi em opções de Bitcoin e ultrapassa IBIT
- Vencimento de 29 de maio movimenta 80.535 contratos no valor de US$ 6,25 bi
- Max pain em US$ 75 mil cria gravidade negativa sobre o preço do BTC
O mercado de derivativos de bitcoin voltou a se concentrar na Deribit. O interesse em aberto em opções da plataforma alcançou US$ 31,3 bilhões em 21 de maio. Esse número supera os US$ 27 bilhões do IBIT, ETF da BlackRock, segundo dados da Checkonchain. A reviravolta ocorre semanas depois de o produto da gestora americana ter assumido a liderança pela primeira vez desde o lançamento das opções de ETFs. Isso aconteceu em novembro de 2024.
São 80.535 contratos avaliados em US$ 6,25 bilhões programados para liquidar no dia 29 de maio na Deribit. O strike de US$ 75 mil reúne a maior concentração de puts. O valor nocional desses puts chega a US$ 394 milhões. Já o strike de US$ 80 mil domina o lado das calls. Assim, essa faixa soma US$ 532 milhões.
O put/call ratio atual é de 0,86, leitura modestamente altista. Apesar disso, o max pain — preço em que o maior número de opções expira sem valor — está em US$ 75 mil. Esse nível está cerca de US$ 2 mil abaixo da cotação atual, próxima de US$ 77 mil. Esse desnível costuma funcionar como um ímã.
Funciona assim: market makers que venderam essas opções precisam neutralizar exposição vendendo ou comprando BTC à vista conforme o vencimento se aproxima. O efeito colateral é uma pressão técnica que tende a empurrar o spot na direção do max pain. Não é regra, mas o padrão se repete em ciclos de vencimento mensal há anos.

O que a disputa Deribit versus IBIT revela
Assim, a oscilação rápida entre IBIT e Deribit sinaliza algo estrutural. Investidores institucionais americanos usam o ETF da BlackRock para posições de prazo mais longo. Por outro lado, traders cripto-nativos operam vencimentos curtos na Deribit. Os perfis de investidor são distintos. Além disso, a alternância na liderança funciona como termômetro de qual público está mais ativo.
Há ainda um detalhe relevante para quem acompanha fluxo institucional. Nos últimos pregões, o IBIT liderou as saídas líquidas dos ETFs americanos. As sangrias se acumularam ao longo de quatro sessões. Portanto, a migração de capital da exposição via ETF para o derivativo puro pode explicar parte da retomada da Deribit no topo.
Operadores também identificaram um movimento atípico no strike de US$ 82 mil, com acúmulo expressivo de calls. A leitura é que parte do mercado se posiciona para um rompimento da parede de calls em US$ 80 mil. Nesse caso, haveria um cenário de squeeze altista caso o spot atravesse essa barreira antes do dia 29. Os dados oficiais de open interest podem ser conferidos no portal de pesquisa da Deribit.
Impacto no mercado brasileiro
Para o trader brasileiro, o vencimento de 29 de maio importa por dois motivos. Primeiro, volatilidade pré-expiração tende a se refletir em maior amplitude de preços nas exchanges locais como Mercado Bitcoin. Isso também é observado na Foxbit e Binance Brasil. Segundo, o BTC convertido em reais perto de US$ 75 mil equivale aproximadamente a R$ 425 mil. Esse valor está contra cerca de R$ 437 mil no patamar atual. Portanto, há uma diferença material para quem opera com alavancagem em derivativos perpétuos da B3 ou em contratos futuros offshore.
O cenário se soma a um pano de fundo já delicado. A demanda à vista nos EUA segue fraca, com Coinbase Premium negativo. Além disso, a ata recente do Fed elevou o risco de manutenção de juros altos por mais tempo, comprimindo apetite por risco. Nesse contexto, o ímã do max pain ganha mais peso. Se o BTC não recuperar tração compradora à vista até a véspera do vencimento, o caminho de menor resistência aponta para US$ 75 mil.