- USDb será lastreada 1:1 em dólar com foco em pagamentos B2B
- Paystand já processou US$ 20 bilhões para 1 milhão de empresas
- Token funcionará via Rootstock e Lightning Network do Bitcoin
A Paystand anunciou o lançamento da USDb, uma stablecoin lastreada em dólar construída sobre a infraestrutura do Bitcoin. O token atenderá pagamentos corporativos incluindo contas a receber, contas a pagar, folha de pagamento e operações de tesouraria.
O movimento marca uma expansão significativa do uso de stablecoins no segmento B2B. A empresa já processou mais de US$ 20 bilhões em volume através de sua rede de pagamentos, atendendo mais de 1 milhão de empresas. Com sede na Califórnia, a Paystand fornece infraestrutura de contas a receber e a pagar para negócios na América do Norte e América Latina.
A USDb terá lastro de 1:1 em reservas de dólar americano. O token será integrado aos produtos existentes da Paystand, incluindo pagamentos internacionais de folha através da plataforma Bitwage, adquirida pela empresa em 2025. A expansão para parceiros e clientes adicionais está prevista para 2026.
Infraestrutura Bitcoin como diferencial
A arquitetura técnica da USDb se destaca por operar em rails vinculados ao Bitcoin. O token será emitido via Rootstock e interoperará com infraestrutura da Blockstream. A compatibilidade se estende a redes baseadas em Bitcoin como Lightning Network e Liquid.
O projeto conta com suporte da Rootstock, Blockstream e Ibex, que atuará como parceiro inicial de emissão e provedor de liquidez. A escolha do Bitcoin como base contrasta com a maioria das stablecoins corporativas, que operam predominantemente em Ethereum ou outras blockchains.
A integração com sistemas financeiros empresariais inclui mapeamento ERP-ledger e suporte a fluxos automatizados de liquidação dentro da rede Paystand. A Bitwage, plataforma de pagamentos de força de trabalho do grupo, atende atualmente mais de 90.000 trabalhadores e 4.500 empresas em quase 200 países.
Mercado de stablecoins atinge US$ 320 bilhões
O setor de stablecoins movimenta aproximadamente US$ 320 bilhões, dominado pelo USDT da Tether com cerca de US$ 189,7 bilhões e o USDC da Circle com aproximadamente US$ 77,7 bilhões, segundo dados da DeFiLlama. A oferta permanece concentrada em poucas chains, com Ethereum representando 52% do mercado, seguida por Tron com cerca de 28%.

Outras empresas também apostam no segmento corporativo. A DoorDash anunciou parceria com a Tempo para habilitar pagamentos em stablecoins para motoristas e comerciantes, permitindo transações em ativos digitais em mais de 40 países. As companhias citaram pagamentos mais rápidos, menores custos internacionais e maior flexibilidade como principais motivadores.

A Western Union planeja lançar sua stablecoin lastreada em dólar, USDPT, em maio, conforme revelou o CEO Devin McGranahan. O token será emitido pela Anchorage Digital na blockchain Solana. Na terça-feira, a Paxos integrou sua plataforma Amplify com a Toku para permitir que usuários obtenham rendimento sobre salários em stablecoins mantidos em carteiras de folha de pagamento.
Impacto no mercado brasileiro
Para investidores brasileiros, o lançamento da USDb representa mais uma opção de exposição a ativos dolarizados via blockchain. O foco em pagamentos B2B pode acelerar a adoção corporativa de criptomoedas no país, especialmente em operações de comércio exterior e remessas internacionais.
A utilização da infraestrutura do Bitcoin, tradicionalmente vista como mais robusta e descentralizada, pode atrair empresas que buscam maior segurança operacional. O Brasil já figura entre os maiores mercados de Bitcoin da América Latina, com volume expressivo nas principais exchanges locais.
A expansão de stablecoins para pagamentos corporativos ocorre em paralelo ao avanço regulatório global. Enquanto o mercado asiático define regras para esses ativos, empresas americanas aceleram lançamentos para capturar fatia desse mercado em crescimento. A entrada de players tradicionais como Western Union valida o modelo e pode acelerar a adoção mainstream.

