Peter Brandt vê alta do Bitcoin como armadilha técnica

  • Brandt nega formação de fundo confiável no Bitcoin e vê canal de baixa
  • PPI dos EUA salta a 6% e reforça cenário macro hostil para cripto
  • Fechamento diário abaixo de US$ 79.145 acionaria capitulação dos compradores

O trader veterano Peter Brandt jogou um balde de água fria no otimismo recente do mercado. Para ele, o repique do Bitcoin nas últimas sessões não marca o início de uma nova perna de alta, mas apenas um movimento técnico dentro de um corredor descendente formado desde fevereiro.

Em publicação na rede social X, o analista afirmou de forma enfática que um padrão confiável de fundo “NÃO, NÃO, NÃO” foi formado. A leitura contraria a narrativa de parte da comunidade, que enxergou no rebote local um sinal de reversão. Brandt, conhecido por acertar topos e fundos históricos do BTC, prefere o ceticismo.

O gatilho técnico de US$ 79.145

O Bitcoin é negociado em US$ 78.850 e enfrenta forte rejeição na borda superior do canal traçado por Brandt. O ponto-chave do mapa do trader é o indicador Average True Range (ATR) no gráfico diário.

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Fonte: coinmarketcap

Um fechamento abaixo de US$ 79.145 nessa métrica funcionaria como sinal de capitulação dos compradores. Em seguida, o ativo recuaria primeiro para o meio do canal e, na sequência, buscaria a borda inferior projetando perdas adicionais relevantes nas próximas semanas.

A leitura técnica conversa com projeções ainda mais pessimistas que circulam no mercado. Outros nomes já trabalham com cenários de queda rumo a US$ 40 mil, caso a estrutura semanal perca suportes intermediários ao longo do trimestre.

PPI de 6% derruba a tese de corte de juros

O pano de fundo macro reforça o argumento baixista. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos saltou para 6% ao ano, contra previsão de 4,8%. O núcleo do PPI veio a 5,2%, também acima do esperado.

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O Bureau of Labor Statistics revisou ainda o dado de abril, de 4,0% para 4,3%. A correção sinaliza que a agência havia subestimado a inflação na expectativa de uma desescalada no Oriente Médio e estabilização do petróleo. O plano não funcionou. A pressão de preços voltou a acelerar, conforme detalhado na reação imediata do BTC ao dado.

Com a inflação ressurgindo, a aposta em cortes de juros pelo Federal Reserve perdeu força. O CPI de 3,8% divulgado dias antes já havia empurrado para frente a expectativa de afrouxamento monetário. O combo de indicadores quentes drena liquidez de ativos de risco — e cripto está nessa fila.

Impacto para o investidor brasileiro

No Brasil, o efeito é duplo. Com o dólar pressionado pelo cenário de juros americanos mais altos por mais tempo, o Bitcoin convertido em reais sofre menos do que o ativo em dólar uma proteção parcial que historicamente reduz a percepção de queda nas exchanges locais. Mesmo assim, o BTC já opera bem abaixo dos picos do ciclo medidos em BRL.

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O ambiente regulatório doméstico amplia a cautela. A decisão recente do Banco Central proibindo um banco de vender criptomoedas mostra que a autoridade monetária segue ativa na delimitação do espaço cripto no varejo bancário, justamente no momento em que a volatilidade global se intensifica.

Brandt destaca que o setor de alto risco já mostra os primeiros sinais de cansaço. Faltam pouco mais de duas semanas para junho, mês em que estoques globais de petróleo devem atingir níveis críticos de depleção, fator que pode pressionar de novo a inflação americana. A publicação completa do trader está disponível em seu perfil oficial no X.

O fato de o BTC já recuar nesse cenário, segundo o analista, valida a tese de que o fundo do ciclo ainda não foi encontrado. O canal de baixa permanece intacto, e a próxima perda relevante de suporte definiria a próxima etapa do movimento.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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