- Liquidez fraca e tarifas limitam a recuperação do Bitcoin
- Stablecoins estagnadas ampliam pressão e reduzem o apetite por risco
- Rotação para metais preciosos reforça queda dos ativos digitais
O Bitcoin enfrenta dois obstáculos simultâneos nesta semana, e ambos pressionam o mercado de criptomoedas. A combinação de stablecoins estagnadas e o impacto crescente das tarifas globais cria um cenário desafiador para quem espera uma recuperação rápida dos preços.
Os choques tarifários recentes provocaram uma nova rotação de capital. Muitos investidores migraram das criptomoedas para metais preciosos e commodities tokenizadas, movimento que ganhou força após novos sinais de incerteza global.
Ao mesmo tempo, a liquidez mais fraca do mercado preocupa analistas, que observam uma redução no apetite por risco. Nesse cenário, o Bitcoin é negociado em US$ 62 mil a US$ 65 mil, refletindo a cautela dos investidores. Esse ambiente mais tenso reforça a busca por ativos de refúgio e limita qualquer tentativa mais firme de valorização do Bitcoin.

Estagnação das stablecoins cria limite claro para o Bitcoin
A Matrixport afirmou que a estagnação da oferta de stablecoins representa um “obstáculo significativo” para o Bitcoin e para todo o ecossistema cripto. Segundo a empresa, as stablecoins atuam como principal fonte de liquidez e, quando não crescem, revelam que o capital está migrando para moedas fiduciárias.
Os dados confirmam esse alerta. A oferta total caiu US$ 5,6 bilhões no ano, recuando de US$ 159 bilhões para US$ 153,4 bilhões, segundo a CryptoQuant. Além disso, as reservas de stablecoins na Binance diminuíram 19% desde novembro de 2025.

Esse encolhimento reduz a capacidade de absorver grandes compras e alimenta movimentos bruscos de preço. Portanto, qualquer tentativa de alta do Bitcoin enfrenta um mercado menos líquido e mais sensível à pressão vendedora.
Outro ponto relevante é a mudança na correlação entre o BTC e o ouro. A correlação de 90 dias ficou negativa em -0,75, mostrando que o Bitcoin se distancia do papel de “ouro digital”. Para Ki Young Ju, da CryptoQuant, o BTC vive uma fase em que “não atua como ouro digital”, o que afeta sua dinâmica de proteção em tempos de instabilidade.

Tarifas globais agravam a pressão e aceleram a fuga para ativos defensivos
O cenário ficou ainda mais tenso após o presidente Donald Trump anunciar novas tarifas globais. A taxa de 10% já entrou em vigor, enquanto um avanço para 15% segue em discussão. Essas medidas despertam receios geopolíticos e afetam diretamente a rotação de capital.
Para Ryan Lee, da Bitget, as tarifas aceleram a saída de recursos das criptomoedas para metais preciosos. Além disso, esse movimento também amplia o interesse em RWAs tokenizados, que registram forte crescimento em 2026.
O ouro e a prata subiram 19% e 21% no ano, respectivamente, enquanto o Bitcoin caiu 27%, segundo o TradingView. Já o Tether Gold (XAUT) avançou 20%, com o número de detentores crescendo 33%. No total, o mercado de commodities tokenizadas já soma US$ 6 bilhões, com alta de 53% em seis semanas.

Assim, o Bitcoin navega em um ambiente em que a liquidez encolhe, a incerteza cresce e a concorrência por capital defensivo aumenta. Sem novos catalisadores, analistas acreditam que o potencial de alta seguirá limitado.


