- 28.605 BTC deixaram carteiras de mineradores em 5 de fevereiro, cerca de US$ 1,8 bilhão.
- No dia seguinte, saíram mais 20.169 BTC, somando quase 49 mil BTC em 48 horas.
- Empresas abertas produziram apenas 2.377 BTC em janeiro, bem abaixo do volume transferido.
O mercado de Bitcoin registrou uma das maiores saídas de BTC de carteiras ligadas a mineradores desde novembro de 2024.
Apesar disso, os dados públicos indicam que não houve uma onda generalizada de vendas no mercado à vista.
Saídas bilionárias chamam atenção em meio à volatilidade
No dia 5 de fevereiro, 28.605 BTC saíram de carteiras de mineradores, segundo a CryptoQuant. O volume equivale a cerca de US$ 1,8 bilhão. No dia 6, mais 20.169 BTC foram movimentados, cerca de US$ 1,4 bilhão.
O movimento coincidiu com forte volatilidade. O Bitcoin caiu para US$ 62.809 em 5 de fevereiro, entretanto, no dia seguinte, saltou para US$ 70.544.
Transferências desse porte costumam gerar alerta. Isso porque grandes saídas podem indicar pressão de venda. Contudo, a própria CryptoQuant ressalta que:
“miner outflow inclui transferências para exchanges, movimentações internas e envios para outras entidades”.

Portanto, a métrica não confirma venda imediata no mercado aberto.
Além disso, oito mineradoras listadas divulgaram dados de janeiro. CleanSpark, Bitdeer, Hive, BitFuFu, Canaan, LM Funding, Cango e DMG produziram juntas 2.377 BTC no mês.
Esse total representa menos de 10% do volume transferido apenas em 5 de fevereiro. Por isso, analistas consideram que as saídas podem envolver atores não listados ou reorganizações internas.
Movimentações de caixa variam entre empresas
A CleanSpark minerou 573 BTC em janeiro e vendeu 158,63 BTC. A empresa encerrou o mês com 13.513 BTC em caixa.
Já a Cango produziu 496,35 BTC e vendeu 550,03 BTC. A companhia afirmou que seguirá vendendo novos BTC para financiar sua expansão em inteligência artificial.
Em 9 de fevereiro, a Cango vendeu mais 4.451 BTC por cerca de US$ 305 milhões. O objetivo foi reduzir dívida garantida em Bitcoin e reforçar seu projeto de IA.
Por outro lado, a Canaan aumentou reservas para 1.778 BTC e 3.951 ETH. A LM Funding minerou 7,8 BTC e não realizou vendas, elevando seu caixa para 364,1 BTC.
A Hive adotou estruturas de garantia atreladas a 480 BTC. Assim, preservou liquidez sem liquidar ativos.
Hashrate cai 40% com tempestades nos EUA
Além das saídas, a rede enfrentou instabilidade no fim de janeiro. Em 27 de janeiro, o hashrate caiu para 663 EH/s durante dois dias.
A queda superou 40% no período. Tempestades severas atingiram regiões dos Estados Unidos. Por isso, mineradores reduziram operações para estabilizar redes elétricas locais.

Empresas como Marathon Digital e Iren relataram queda temporária na produção diária. Entretanto, os dados da Blockchain.com mostram recuperação do hashrate no início de fevereiro.
O episódio reforça a sensibilidade da mineração a fatores climáticos e energéticos.
Em resumo, o volume de BTC movimentado impressiona. Contudo, os dados públicos não indicam capitulação ampla do setor. Além disso, parte das transferências pode refletir ajustes operacionais, garantias ou reorganizações estratégicas.
Para o mercado, o recado é claro: grandes saídas nem sempre significam vendas imediatas. Ainda assim, em momentos de volatilidade, qualquer movimento bilionário amplia a tensão e exige atenção redobrada.

