- Revolut adia IPO para 2028 e busca valuation de US$ 150 bilhões
- Fintech obteve licença bancária britânica após 18 meses de análise
- Lucro cresceu 57% para US$ 2,3 bilhões com 300 criptos disponíveis
A fintech Revolut anunciou o adiamento de sua abertura de capital para 2028, priorizando a expansão bancária após conquistar licença completa no Reino Unido. O CEO Nik Storonsky revelou que a empresa busca uma avaliação de mercado de pelo menos US$ 150 bilhões quando estrear na bolsa, valor que superaria diversos bancos tradicionais europeus.
Com 70 milhões de clientes em mais de 40 mercados, a Revolut registrou receita de US$ 6 bilhões em 2025. O lucro antes de impostos alcançou US$ 2,3 bilhões, alta de 57% comparado ao ano anterior. A empresa mantém lucratividade há cinco anos consecutivos, diferenciando-se de outras fintechs do setor.
A decisão de postergar o IPO marca mudança na estratégia anteriormente comunicada. Storonsky havia indicado janela de dois a três anos para abertura de capital. Agora, o prazo ficou mais específico, cerca de dois anos, colocando a estreia em bolsa para 2028.
Licença bancária abre caminho para crescimento regulado
Em março de 2026, após 18 meses de processo regulatório intenso, a Revolut recebeu aprovação total da Prudential Regulation Authority britânica. A conquista veio depois de anos negociando sistemas antifraude e controles de risco com reguladores locais, que examinaram minuciosamente os processos anti-lavagem de dinheiro da empresa.
Fundada em 2015 por Nik Storonsky e Vlad Yatsenko, a Revolut começou atacando taxas de câmbio abusivas e transferências internacionais lentas. Hoje opera como banco completo em seu mercado natal, podendo oferecer produtos financeiros regulados com proteção total de depósitos.
Paralelamente, a fintech aplicou para uma licença bancária nacional nos Estados Unidos junto ao OCC (Office of the Comptroller of the Currency) e FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation). Cetin Duransoy, ex-executivo da Visa e ex-CEO da Raisin US, foi nomeado para liderar a operação americana. A licença permitiria acesso direto à infraestrutura de pagamentos do Federal Reserve, eliminando intermediários e reduzindo custos operacionais.
Storonsky destacou que construir confiança como instituição bancária tem mais peso que a urgência de abrir capital. “Não é apenas sobre liquidez, mas sobre estabelecer-se como instituição financeira respeitada”, afirmou o executivo. A estratégia reflete a evolução regulatória do setor financeiro digital, onde credibilidade institucional tornou-se diferencial competitivo.
Vendas secundárias substituem IPO na geração de liquidez
Enquanto permanece com capital fechado, a Revolut realiza rodadas secundárias periódicas para dar liquidez a funcionários e investidores iniciais. A última transação, concluída em novembro, avaliou a empresa em US$ 75 bilhões, salto expressivo de 67% ante os US$ 45 bilhões registrados um ano antes.
Uma nova venda secundária está sendo considerada para 2026, segundo fontes próximas à empresa. Esse mecanismo permite que acionistas vendam participações sem necessidade de IPO, mantendo a flexibilidade operacional da empresa privada e evitando o escrutínio trimestral dos mercados públicos.
Os números financeiros justificam o otimismo. A receita de US$ 4 bilhões em 2024 representou crescimento de 72% anual, acompanhada por lucro pré-impostos de US$ 1,4 bilhão, alta de 149%. O momentum continuou em 2025, consolidando a posição financeira robusta da empresa.
Plataforma integra 300 criptomoedas com serviços bancários tradicionais
Além de contas correntes, poupança e cartões de débito/crédito, a Revolut opera uma das maiores plataformas de trading cripto da Europa. São mais de 300 tokens digitais disponíveis para negociação, incluindo Bitcoin, Ethereum e uma ampla gama de altcoins, posicionando-a como uma das plataformas bancárias mais amigáveis às criptomoedas do continente.
A empresa também expandiu para empréstimos pessoais, investimentos em ações, câmbio para empresas e até chips eSIM para dados móveis internacionais. Essa diversificação radical ajudou a fintech a se destacar de concorrentes diretos como Chime, Monzo, Starling e N26, que permanecem não-lucrativas ou operam com escala significativamente menor.
No Brasil, onde a adoção de criptomoedas cresce rapidamente, o modelo Revolut pode servir de inspiração. A combinação de serviços cripto integrados com banking tradicional atende demanda crescente por plataformas unificadas. Enquanto bancos brasileiros ainda resistem à integração total com ativos digitais, a Revolut demonstra viabilidade do modelo híbrido.
Com dupla expansão bancária em Reino Unido e Estados Unidos, a fintech aposta que solidez regulatória e diversificação de produtos justificarão a ambiciosa meta de US$ 150 bilhões quando finalmente abrir capital. O adiamento do IPO sinaliza confiança no crescimento orgânico e preferência por construir valor sustentável antes de enfrentar a volatilidade dos mercados públicos.

