- Bitcoin recua 1,7% e perde os US$ 80 mil após tweet de Michael Saylor
- ETFs de BTC registraram saídas de US$ 286 milhões na sessão
- US$ 17 bilhões em posições compradas estão concentradas perto de US$ 67 mil
O Bitcoin voltou a operar abaixo dos US$ 80 mil nesta quarta-feira, dia 7 de maio, depois de uma queda de 1,7% que coincidiu com uma mudança sutil — mas significativa — no discurso de Michael Saylor. O cofundador da Strategy publicou um tweet sugerindo “comprar mais BTC do que vender”, uma formulação inédita para quem construiu reputação defendendo acumulação irrestrita.
A frase, aparentemente neutra, foi lida pelo mercado como concessão. Pela primeira vez, Saylor admitiu publicamente o conceito de venda dentro da estratégia da empresa. O timing foi ruim: o tweet caiu em meio a um ambiente já tenso, com lucros não realizados próximos do pico do ciclo.
O peso do recuo técnico
Do ponto de vista gráfico, o BTC vinha desenhando uma sequência de fundos ascendentes desde o fim de março. A máxima recente de US$ 82 mil, registrada em 6 de maio, parecia abrir caminho para um novo teste de US$ 85 mil. A queda interrompeu esse roteiro.
A perda dos US$ 80 mil tem peso simbólico. Esse patamar foi recuperado há poucas semanas, depois de ter sido rompido para baixo em meados de janeiro. Voltar a ficar abaixo dele transforma um suporte recente em resistência imediata. Para o investidor brasileiro, a queda equivale a um BTC orbitando os R$ 455 mil nas principais exchanges nacionais.
Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos acompanharam o movimento. Foram US$ 286 milhões em saídas líquidas no mesmo dia da correção — número que chama atenção porque indica que o fluxo institucional, que vinha sustentando o ativo, hesitou. Em correções anteriores, esse fluxo já havia ficado negativo, mas voltou rapidamente. Resta saber se o padrão se repete.
Saylor e o fim do “never sell”
A leitura que circulou entre traders foi direta: o tweet pode marcar o fim informal da postura “nunca vender” da Strategy. A empresa fechou o primeiro trimestre com prejuízo contábil de US$ 12,54 bilhões, reflexo da desvalorização do BTC, que recuou mais de 22% no período. A perda trimestral aumentou a pressão sobre a tesouraria da companhia, que carrega cerca de 553 mil BTC em balanço.
Ainda assim, o discurso oficial nunca havia sugerido distribuição. Saylor chegou a publicar dezenas de mensagens reforçando acumulação ao longo de 2024 e 2025. A nova formulação — equilíbrio entre compra e venda — sinaliza algo diferente. Analistas ouvidos pela imprensa internacional afirmaram que parte do recuo intradiário ocorreu logo após a publicação, com posições sendo ajustadas em resposta direta ao texto.
Lucros acumulados e risco em US$ 67 mil
Os dados on-chain reforçam o cenário de cautela. Segundo a CryptoQuant, a margem de lucro média dos detentores de BTC chegou perto de 20%, o maior patamar de ganhos não realizados desde junho de 2025. Quando esse indicador sobe, a tendência histórica é de realização de lucros — investidores aproveitam a janela para travar resultado.
Há também um foco de risco mais grave. Aproximadamente US$ 17 bilhões em posições compradas estão concentrados em torno de US$ 67 mil. Se a narrativa em torno da Strategy migrar de acumulação para distribuição, e parte desses traders capitular, a cascata de liquidações pode levar o preço justamente a essa região. O cenário aproxima a leitura de analistas mais cautelosos, que já apontavam riscos relevantes para maio.
No Brasil, o efeito colateral aparece em dois lugares. Mesas OTC locais relataram aumento de pedidos de venda em volumes acima de R$ 1 milhão nas últimas 48 horas. E exchanges domésticas observaram alta marginal nas transferências de BTC vindas de carteiras de longo prazo — comportamento típico de quem prepara distribuição. As projeções do JPMorgan para a Strategy em 2026 ganham nova camada de incerteza diante da mudança retórica de Saylor.

