- SharpLink compra mais 10 mil ETH por US$ 16,1 milhões em média de US$ 1.611
- Tesouraria da empresa chega a 886.725 ETH após captação de US$ 75 milhões
- Ethereum encaminha terceiro trimestre seguido em queda, fato inédito na história
A SharpLink Gaming (SBET) voltou ao radar do mercado com mais uma rodada agressiva de compras em ethereum. A empresa, que opera como tesouraria corporativa de ETH, adquiriu 10.000 unidades da segunda maior criptomoeda do mundo por aproximadamente US$ 16,1 milhões, ao preço médio de US$ 1.611 por token.
Com a nova aquisição, o estoque total chega a 886.725 ETH. A operação foi bancada por uma oferta registrada de ações que levantou US$ 75 milhões, segundo o comunicado divulgado pela própria companhia. Mesmo com o movimento, as ações SBET recuavam 2,5% no momento desta publicação, cotadas a US$ 4,79.
Recompra de ações acelera em paralelo
Ao lado da compra de ETH, a SharpLink anunciou a recompra de 2,13 milhões de ações próprias a um preço médio de US$ 4,69 cada. Desde agosto de 2025, o programa já retirou de circulação mais de 4,07 milhões de papéis, sinalizando esforço para sustentar o valor de mercado da empresa em meio à pressão sobre o ETH.
O timing chama atenção. A companhia acaba de entrar nos índices Russell 2000 e Russell 3000, o que amplia sua exposição a fundos passivos e gestoras institucionais. A combinação de captação primária, compra de ETH e recompra de ações desenha uma estratégia clássica de tesouraria-alavancada, modelo popularizado pela Strategy de Michael Saylor no Bitcoin — agora replicado por empresas como Bitmine no Ethereum.
A própria Bitmine, aliás, segue empilhando ether: a firma comandada por Tom Lee adicionou mais 27.084 ETH ao caixa nas últimas semanas. Juntas, as duas tesourarias se tornaram um dos principais pisos de demanda para o ativo num momento em que os ETFs spot de ETH registram saques e baleias antigas reduzem posições.
Ethereum mira fato histórico no trimestre
O esforço comprador da SharpLink contrasta com o desempenho do ativo. O ethereum é negociado próximo de US$ 1.564 (R$ 8.102), com perdas trimestrais de cerca de 25% e queda de 0,2% nas últimas 24 horas, segundo as cotações desta terça-feira. O quadro coloca o ativo a poucas horas de fechar o terceiro trimestre consecutivo no vermelho — algo que nunca aconteceu desde o lançamento da rede em 2015.
O nível psicológico de US$ 1.500 virou divisor de águas. O analista Ted Pillows projeta uma possível recuperação técnica no próximo mês caso a região seja defendida. Em cenário oposto, o gráfico aponta extensão da queda para US$ 1.400 ou patamares inferiores. A leitura ganha peso porque o preço médio de compra da SharpLink está acima dos níveis atuais — a tesouraria já opera no prejuízo contábil.
Impressão de ações vira questão central
O modelo SharpLink depende de algo que o investidor brasileiro precisa entender: a empresa emite ações para comprar ETH, e o ETH precisa subir mais rápido do que a diluição acumulada. Com SBET caindo abaixo dos US$ 5 e o ETH lateralizando, esse mecanismo perde eficiência — o chamado mNAV (relação entre valor de mercado e valor líquido dos ativos) se aproxima de 1, o que normalmente trava novas emissões.
Para quem opera ether em corretoras nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso, o número que importa é o de R$ 8.102, atual ponto de referência. A pressão sobre o ativo coincide com a discussão regulatória interna: o Banco Central avalia travar saques de stablecoins por 24 horas, o que pode afetar fluxo entre USDT e altcoins nas plataformas locais.
F2Pool também acumula ether no suporte
A SharpLink não está sozinha do lado comprador. Um dos cofundadores da F2Pool acaba de adicionar 17,5 mil ETH a seu portfólio justamente quando o preço testou US$ 1.500. O movimento, somado às compras de Bitmine e SharpLink, mostra que o suporte está sendo defendido por bolsos profundos — embora vendedores como Arthur Hayes tenham despejado posições com prejuízo nas últimas semanas. O detalhe sobre a operação foi divulgado em comunicado oficial da empresa no X.