- Rede da Solana faturou US$ 257 milhões em dApps no 2º trimestre de 2026
- Pump.fun e Axiom concentram 62% da receita gerada na blockchain
- SOL negocia a US$ 77,75 com alta de 6,1% nas últimas 24 horas
A rede Solana encerrou o segundo trimestre de 2026 no topo do ranking de receita de aplicações descentralizadas pelo nono trimestre consecutivo, um recorde que nenhuma outra blockchain conseguiu quebrar desde o início de 2024. Os dApps da rede somaram US$ 257 milhões em taxas no período, à frente de Ethereum, Tron, Base e Hyperliquid.
O dado é do levantamento publicado pela SolanaFloor e chega em um momento de alívio para o token. O SOL é negociado a US$ 77,75 nesta terça-feira (1º), com valorização de 6,1% em 24 horas e cotação equivalente a R$ 403,32. É o melhor desempenho entre as maiores criptomoedas do dia.
Receita cai frente a 2025, mas vantagem se mantém
Os US$ 257 milhões do trimestre representam recuo de 5% ante os US$ 271 milhões registrados no segundo trimestre de 2025. Ainda assim, a distância para os concorrentes segue larga. Segundo dados da Syndica divulgados em janeiro, a Solana detinha 41% de toda a receita global de dApps Web3 no início do ano, saindo de 33% em dezembro de 2025.
Naquele mês, o setor global movimentou US$ 385 milhões em taxas. A fatia da Solana, sozinha, chegou a US$ 158 milhões — um salto de 72% em relação a novembro. A leitura é direta: uma única rede concentra quase metade de uma métrica setorial. Não é liderança por margem estreita.
Dados semanais reforçam a consistência. Na semana encerrada em 20 de abril, a Solana registrou US$ 16,94 milhões em receita de dApps, contra US$ 14,18 milhões da Hyperliquid e US$ 13,55 milhões do Ethereum. Em maio, o total mensal da Solana bateu US$ 91 milhões, ante US$ 53 milhões da Hyperliquid e US$ 52 milhões do Ethereum, segundo a DefiLlama.
Pump.fun e Axiom respondem por 62% do faturamento
A concentração da receita em pouquíssimos aplicativos é o principal ponto de atenção para investidores. No primeiro trimestre de 2026, a Solana faturou US$ 292 milhões em dApps. Desse total, o Pump.fun, plataforma de lançamento de memecoins, gerou US$ 123 milhões — 42% da rede inteira. O Axiom, terminal de trading, contribuiu com US$ 58 milhões, ou 20%.
Somados, os dois nomes concentram 62% de toda a receita da blockchain. A Syndica identificou ainda que os oito maiores aplicativos respondem por 78% do faturamento total. É uma dependência estrutural do apetite especulativo por memecoins e do fluxo de trading que orbita esse mercado.
O risco é fácil de mapear. Se o volume de negociação de memecoins na Solana esfriar — e há sinais de que o pico de janeiro ficou para trás —, o topo do ranking pode ser disputado já no terceiro trimestre. A Hyperliquid, com foco em perpétuos, tem sido a candidata mais próxima. Vale lembrar que a BNB Chain ultrapassou a Solana em ações tokenizadas, mostrando que a hegemonia da rede não é absoluta em todos os nichos.
Leitura para quem opera SOL em real
Para o investidor brasileiro, o dado importa por dois motivos. Primeiro, receita é a métrica mais difícil de manipular no setor — ao contrário do TVL, que pode ser inflado com depósitos recursivos, e do número de endereços ativos, sujeito a farm de wallets. Taxa paga é dinheiro real saindo do bolso do usuário. Segundo, a Solana virou o ativo com maior correlação a fluxo especulativo de varejo, o que amplifica ganhos e perdas. Nas exchanges locais, o SOL segue entre os cinco criptoativos com maior volume diário em BRL.
Enquanto o Ethereum tenta reconquistar o topo via camadas 2 como Base, Arbitrum e Optimism, a receita continua fragmentada. Somadas, essas redes ainda não superam consistentemente o que a Solana entrega como rede única. O terceiro trimestre dirá se a base de receita não vinculada a memecoins amadureceu o suficiente para sustentar o posto sem o combustível especulativo do Pump.fun. Cenário que se soma ao movimento de baleias acumulando SOL entre US$ 70 e US$ 71 nas últimas semanas.