- Oferta total de stablecoins na Solana avança 6% em uma semana e se aproxima de US$ 16 bilhões
- USDe, da Ethena, sobe 1.300% na rede em 30 dias e supera USDT e USDC em fluxo
- TVL recua abaixo de US$ 6 bi e Open Interest dispara 156% em 35 dias
A oferta de stablecoins na rede Solana avança em ritmo acelerado e se aproxima do recorde histórico de US$ 16 bilhões. Dados da DeFiLlama mostram alta superior a 6% apenas na última semana, com fluxo concentrado em emissores mais novos. O movimento alimenta a tese de que o segundo trimestre pode marcar uma nova rotação institucional para o ecossistema.
O ponto curioso está na composição desse fluxo. USDT e USDC, os dois maiores emissores globais, seguem no vermelho dentro da Solana. Quem puxa a entrada de liquidez são stablecoins de segunda geração, sobretudo as de rendimento embutido. O USDe, da Ethena, é o caso mais visível, subiu mais de 1.300% na rede em 30 dias.
O volume diário de negociação do USDe na Solana dobrou da noite para o dia, batendo cerca de US$ 300 milhões. Isso indica algo diferente de simples acumulação. Há rotação ativa, com investidores trocando dólares sintéticos por instrumentos que pagam yield, em vez de manter capital parado em emissores tradicionais.
O paradoxo do TVL em queda
A leitura otimista esbarra em um dado incômodo. O Total Value Locked da Solana caiu para baixo de US$ 6 bilhões, patamar não visto desde outubro de 2024. Ou seja, chega stablecoin, mas o capital não fica travado em protocolos DeFi. Os usuários estão girando liquidez com frequência maior, e não bloqueando posições de longo prazo.
Esse comportamento muda a natureza do fluxo. Em vez de capital paciente, alocado em pools de empréstimo ou liquidez, o que predomina é dinheiro em trânsito buscando arbitragem, yield curto e exposição direcional. Para uma rede que se vendia como destino de capital institucional produtivo, o sinal é ambíguo.
O contraste fica mais nítido quando se olha o mercado de derivativos. O Open Interest em perpétuos de SOL chegou a US$ 429 milhões, alta de 156% em 35 dias. É posicionamento alavancado, não acumulação spot. Combinado ao TVL em retração, o quadro descreve uma rede onde a atividade migra do uso financeiro para a aposta direcional.
Prejuízo de tesourarias pesa no radar institucional
Do lado corporativo, a fotografia também não é confortável. Duas tesourarias dedicadas a SOL, a Forward Industries e a DeFi Development Corp, reportaram perdas pesadas após a queda de mais de 30% do token no primeiro trimestre. A Forward registrou US$ 283,1 milhões em prejuízos não realizados, a DeFi Development Corp, US$ 83,4 milhões.
Essas cifras importam porque limitam a capacidade dessas empresas de continuar acumulando SOL. O modelo de tesouraria cripto depende de balanços saudáveis para emitir dívida ou capital e comprar mais ativo. Quando o mark-to-market vira, o ciclo trava algo já observado em empresas com tesouraria em Bitcoin que precisaram desfazer posições.
Apesar do quadro misto, fundos seguem entrando. A Dartmouth ampliou exposição via ETF de Solana, e o Morgan Stanley reportou posição de US$ 29,9 milhões em produtos da Bitwise atrelados ao ativo. A disputa institucional pelo terceiro maior ecossistema cripto continua viva.
Leitura para o investidor brasileiro
Para o investidor brasileiro, o ponto prático é entender que volume de stablecoin não equivale a demanda por SOL. Nas exchanges locais, como Mercado Bitcoin e Binance, a maior parte do giro em Solana ainda é direcional compra e venda do token, e não uso de DeFi nativo. A correção semanal de 9,3% no preço do SOL, mesmo com fluxo recorde de stablecoins entrando na rede, é um aviso direto, alavancagem em desmontagem amplifica quedas.
O cenário lembra ciclos anteriores, em que entrada de liquidez não se converteu em sustentação de preço. Se o padrão se confirmar, o segundo trimestre pode trazer volatilidade adicional antes de qualquer tese de rali estrutural se materializar. A próxima leitura decisiva será observar se o TVL retoma trajetória de alta ou se a Solana vira definitivamente uma rede de trading rápido, com menos capital produtivo travado.