Strategy cai 5,3% após vender 32 BTC e Bitcoin perde US$ 72 mil

  • Ação MSTR recua 5,3% para US$ 150,68 e quase zera ganhos do ano
  • Strategy vendeu 32 BTC por US$ 2,5 milhões para custear dividendo da STRC
  • Bitcoin reage à venda e cai para US$ 70.631, menor nível em quase dois meses

A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do planeta, viu suas ações despencarem nesta segunda-feira após confirmar a venda de 32 BTC. O movimento, embora pequeno em volume, quebrou o dogma do “comprar e nunca vender” cultivado por Michael Saylor e abalou a confiança de parte do mercado.

Os papéis da companhia sediada em Tysons Corner, na Virgínia, tocaram a mínima em um mês e meio antes de ensaiar reação. No momento da publicação, MSTR caía 5,3%, cotada a US$ 150,49, segundo dados do Yahoo Finance. A queda praticamente zerou a valorização acumulada no ano.

Gráfico MSTR
Fonte: finance.yahoo

O Bitcoin acompanhou o movimento. A criptomoeda recuava 3,8% nas últimas 24 horas e está negociada a US$ 71.096, equivalente a cerca de R$ 356.666 na cotação atual o menor patamar em quase dois meses. Para o investidor brasileiro, o tombo apaga boa parte do prêmio acumulado desde abril.

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A venda simbólica de Saylor

A operação, divulgada em filing junto à SEC, envolveu apenas 32 BTC, totalizando cerca de US$ 2,5 milhões. O valor representa 0,0038% do estoque total da empresa, hoje em 843.706 BTC algo próximo de US$ 60 bilhões a preços correntes.

Os recursos foram direcionados para cobrir custos da Stretch (STRC), ação preferencial de US$ 10,48 bilhões que paga dividendo anual de 11,5% em parcelas mensais. A manutenção do produto consome cerca de US$ 100 milhões por mês do caixa da companhia.

Em publicação no X feita pouco após a abertura do pregão, Saylor evitou comentar a venda.

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“Nosso objetivo é tornar a STRC o melhor instrumento de crédito do mundo”, limitou-se a escrever.

O silêncio sobre o desfazimento dos satoshis ampliou o ruído.

Analistas minimizam o impacto

Para Lance Vitanza, analista do TD Cowen, a reação foi desproporcional. O banco manteve preço-alvo de US$ 400 para MSTR.

“A confusão em torno desta venda mínima da Strategy amplificou uma deslocação já chamativa. Manchetes sugerindo que a empresa reduziu significativamente sua posição em Bitcoin são, em nossa visão, enganosas”, escreveu em nota a clientes.

Já na teleconferência do primeiro trimestre, Saylor havia sinalizado que venderia algum Bitcoin para “inocular o mercado” ou seja, mostrar que poderia fazê-lo sem comprometer a tese. A operação desta segunda parece justamente esse aceno simbólico. Resta saber se ficará isolada.

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Leitura para o investidor brasileiro

O episódio importa para quem opera cripto no Brasil por dois motivos. Primeiro, porque a Strategy virou proxy do Bitcoin nas carteiras institucionais quando MSTR sangra, o efeito contamina ETFs e exchanges locais via correlação. Segundo, porque marca uma inflexão no modelo de tesouraria corporativa de cripto que vinha sendo replicado por empresas menores ao redor do mundo, incluindo iniciativas brasileiras de menor porte.

O movimento também pressiona ainda mais um mercado já cambaleante. Os ETFs de Bitcoin vinham de saídas bilionárias nas últimas sessões, e a venda de Saylor entrega munição para o lado vendedor. Em paralelo, a retirada recente de 411 BTC da Coinbase Prime pela própria Strategy havia momentaneamente acalmado os ânimos efeito que durou pouco.

O que esperar daqui para frente

Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale, vê o movimento como inevitável.

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“O Bitcoin não gera fluxo de caixa, então vendas eram inevitáveis em algum momento para cobrir obrigações de dividendos”, disse.

Ele acrescenta que uma fatia menor do supply nas mãos das chamadas DATs (Digital Asset Treasuries) pode ser saudável no longo prazo.

Gerry O’Shea, da gestora Hashdex, pondera.

“Acho que o mercado pode interpretar isso de forma exagerada, mas não vejo mudança na tese estrutural. Se este cenário de mercado persistir, talvez você veja um pouco mais de venda.”

A Strategy também sinalizou no mês passado a possibilidade de reduzir estoque em paralelo ao programa de recompra de US$ 1,5 bilhão em bonds conversíveis, agravando dúvidas sobre a sustentabilidade da STRC.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.