Strive amplia oferta em US$ 4,2 bi e contrasta com venda da Strategy

  • Strive comprou 2.500 BTC e elevou tesouraria a 19.000 Bitcoin
  • Benchmark-StoneX inicia cobertura com rating Buy e alvo de US$ 32
  • Empresa amplia programa de emissão em US$ 4,2 bilhões via SATA e ações

Enquanto a Strategy vendia Bitcoin pela primeira vez desde 2022, a rival Strive seguiu o caminho oposto. A gestora de Vivek Ramaswamy comprou mais 2.500 BTC na semana passada e ampliou seu estoque para 19.000 Bitcoin, equivalentes a cerca de US$ 1,3 bilhão na cotação reportada à SEC.

O movimento veio acompanhado de um voto de confiança de Wall Street. A Benchmark-StoneX iniciou cobertura da Strive nesta terça-feira com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 32, mais que o dobro do fechamento do dia. As ações, porém, caíram 6,6%, para US$ 16,06, arrastadas pelo nervosismo do mercado após a Strategy reduzir posição.

SATA promete dividendo diário de 13% ao ano

A peça central da tese é o SATA, ação preferencial de taxa variável criada pela Strive nos moldes do Stretch (STRC) da Strategy. O produto pagará 13% ao ano em dividendos diários a partir de 16 de junho — algo inédito entre títulos listados nos Estados Unidos, onde a praxe é distribuição trimestral ou mensal.

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Para sustentar o programa, a empresa captou US$ 44 milhões adicionais em caixa nos últimos dias. O CEO Matt Cole anunciou ainda planos de ampliar o programa de emissões em mais US$ 2,1 bilhões em ações ordinárias e outros US$ 2,1 bilhões em SATA, totalizando US$ 4,2 bilhões de munição para novas compras de BTC.

O analista Mark Palmer, da Benchmark, descreveu a Strive como “ágil”. Enquanto a Strategy ainda submete a votação dos acionistas a mudança para distribuições bimestrais do STRC, a concorrente conseguiu alterar o desenho do SATA rapidamente. A empresa também já zerou a dívida — processo que, segundo a própria Strategy, deve consumir entre três e seis anos.

Rivalidade amistosa no “crédito digital”

Apesar de mirarem o mesmo público, Palmer enxerga as duas companhias como complementares. Ambas defendem o que chama de digital credit, classe nascente que combina renda fixa estruturada e exposição a Bitcoin. “Não é um jogo de soma zero”, afirmou o analista. “Se mais investidores enxergarem o crédito digital como uma classe atraente, todos os participantes serão beneficiados.”

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O argumento técnico a favor do SATA está em sua engenharia. O papel é desenhado para negociar perto do valor de par de US$ 100. Quando o preço supera essa marca, a emissora pode imprimir mais units e converter o caixa em Bitcoin — modelo idêntico ao do STRC. Como o instrumento não tem vencimento nem exige colateral, a Benchmark vê risco baixo de desalavancagem forçada em ciclos de baixa do BTC, problema crônico das tesourarias que dependem de dívida conversível.

Strategy mantém rating de compra após venda de 32 BTC

O mesmo banco reiterou recomendação de compra para a Strategy, com alvo de US$ 570. Para os analistas, o mercado interpretou de forma equivocada a venda atípica de 32 BTC por Michael Saylor como traição ao mantra de nunca vender. Na leitura da casa, o movimento mostrou que a empresa tem flexibilidade para honrar obrigações sem comprometer materialmente o estoque — que segue 45 vezes maior que o da Strive.

A semana anterior já trouxera sinal de aperto: a Strategy queimou 61% do seu colchão de caixa para recomprar parte da dívida. Para investidores brasileiros que acompanham as proxies de Bitcoin via BDRs e ETFs internacionais, o contraste importa. A tese da Strive, sem dívida e ancorada em dividendo diário, oferece perfil de risco diferente em um momento em que o BTC opera perto de US$ 67.235, com queda de 5,9% em 24 horas.

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Strive passa a disputar fluxo com BlackRock e MSTR

No cenário local, a competição entre tesourarias de Bitcoin acontece em paralelo à saída de capital dos ETFs americanos. A BlackRock enviou US$ 425 milhões em BTC para a Coinbase nos últimos dias, e o mercado agora monitora se o apetite por veículos de crédito digital ajudará a absorver a oferta. A Strive, ainda com apenas 2,2% do estoque da Strategy, tenta capturar uma fatia desse fluxo institucional com um produto que não existe em nenhum outro emissor listado dos EUA.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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