Strive lança SATA com dividendo diário e desafia STRC de Saylor

  • SATA pagará dividendos em cada dia útil a partir de 16 de junho de 2026
  • Taxa anualizada de 13% supera os 11,5% oferecidos pelo STRC da Strategy
  • Strive já acumula 15.009 BTC em tesouraria e zera dívidas no balanço

A Strive subiu o tom na guerra das ações preferenciais lastreadas em Bitcoin. A companhia anunciou que sua SATA passará a pagar dividendos em dinheiro a cada dia útil a partir de 16 de junho de 2026, com taxa anualizada de 13,00%. O movimento posiciona o papel como rival direto do STRC, veículo preferencial da Strategy de Michael Saylor que paga mensalmente.

Além disso, o timing não é coincidência. O anúncio chega dias depois de o STRC bater volume recorde, com US$ 1,53 bilhão negociados e 15,3 milhões de ações trocando de mãos em uma única sessão. A Strive, comandada por Matthew Cole, decidiu competir pela estrutura, não pelo tamanho.

A matemática do dividendo diário

Pelos materiais distribuídos a investidores, uma taxa nominal de 13% com pagamentos em aproximadamente 250 dias úteis por ano resulta em rendimento anual efetivo de 13,8790%. Na composição mensal tradicional, o número fica em 13,8032%. A diferença de cerca de 7,57 pontos-base parece pequena no papel, mas a Strive aposta em outro fator: comportamento.

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Assim, a tese é que pagamentos diários criam 250 eventos de reinvestimento por ano contra apenas 12 no modelo mensal. Em um exemplo com valor nominal de US$ 100, cada dia útil renderia cerca de US$ 0,04924 por ação, em vez de um único cheque mensal de US$ 1,08. Para o CIO da empresa, Ben Werkman, o desenho alinha dividendos à “velocidade dos mercados modernos”.

Strategy não ignorou a pressão. A companhia de Saylor já propôs migrar o STRC de pagamento mensal para quinzenal, justamente para reduzir o intervalo de reinvestimento e estabilizar o papel ao redor de US$ 100. Mesmo assim, continua mais lento do que o modelo proposto pela concorrente.

Strive

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Escala contra estrutura

Além disso, o STRC ainda joga em outra liga em termos de tamanho. A própria página da Strategy aponta valor nominal em circulação de US$ 8,54 bilhões, profundidade de mercado que a SATA não consegue replicar. A liquidez é, hoje, a principal vantagem competitiva de Saylor — e o motivo pelo qual o veículo virou âncora da estratégia de captação da empresa, como já detalhado em análise sobre o STRC.

Há uma ironia curiosa no tabuleiro: a Strive é dona de STRC. Em 12 de maio, a companhia mantinha US$ 50,5 milhões em posição no papel de Saylor, além de US$ 87,6 milhões em caixa. Quando aplicou esses recursos, o aporte representava mais de um terço da tesouraria corporativa da Strive. Atacar o STRC publicamente, portanto, é também atacar um ativo do próprio balanço.

O balanço da Strive

Assim, a empresa de Cole reforçou que está sem dívidas de curto ou longo prazo após recomprar as notas remanescentes. A tesouraria em Bitcoin chegou a 15.009 BTC, após compras de 6.001 BTC no primeiro trimestre e mais 1.381 BTC entre 1º de abril e 12 de maio. Pelos preços atuais, com o BTC sendo negociado a US$ 80.643, a posição vale mais de US$ 1,2 bilhão.

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Além disso, o balanço, porém, tem outro lado. A Strive reportou prejuízo contábil de US$ 265,9 milhões no primeiro trimestre, com US$ 295,8 milhões ligados à queda de valor justo do Bitcoin em carteira. É o tipo de número que o mercado brasileiro já viu em empresas locais que adotaram o BTC como reserva — efeito direto da contabilização a valor de mercado.

Para o investidor brasileiro com acesso a ações americanas via BDR ou broker offshore, a disputa importa por um motivo prático. Produtos como STRC e SATA funcionam como proxies de renda fixa indexada à narrativa do Bitcoin, e competem indiretamente com a custódia institucional que o Bradesco prepara para Bitcoin e stablecoins. A diferença está no formato: dividendo em dólar contra exposição spot. O contraste também ajuda a explicar por que Saylor afirma que o BTC precisa subir só 2,3% ao ano para sustentar o pagamento do STRC.

Assim, a Strategy descreve o STRC, em seu material institucional oficial, como ação preferencial perpétua com taxa ajustada mensalmente. A SATA tenta ocupar o espaço adjacente, oferecendo cadência diária e taxa mais alta. A briga agora é por quem consegue convencer o mercado de que o desenho importa mais do que o tamanho.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.