- Tether injeta US$ 1 milhão em XAUT para lastrear programa de recompensas do cartão
- Usuários ganham até 6% de cashback em ouro tokenizado em compras feitas pela rede Visa
- Mercado de ouro tokenizado supera US$ 5,3 bilhões e XAUT domina com US$ 2,6 bilhões
A Tether entrou no mercado de pagamentos com lastro em metal precioso. A emissora do USDT anunciou, em parceria com a fintech Fasset, o primeiro cartão Visa do mundo que devolve cashback em ouro tokenizado. O produto roda na infraestrutura global da bandeira e usa o token XAUT como ativo de recompensa.
Para destravar o programa, a Tether comprometeu até US$ 1 milhão em XAUT no lançamento. O valor abastece a pool inicial de recompensas e funciona como subsídio para acelerar a adoção entre os clientes da Fasset, plataforma com presença em Ásia e África.
Cada unidade de XAUT representa uma onça troy de ouro físico armazenada em barras London Good Delivery. A proposta inverte uma lógica histórica: transforma reserva de valor em meio de pagamento. Em vez de manter o metal parado, o usuário gasta na maquininha e recebe frações de ouro de volta.
Como o cashback em ouro funciona
O cartão paga até 6% de cashback em XAUT nas transações elegíveis. O crédito cai direto na carteira da Fasset, sem necessidade de resgate manual. No ponto de venda, a conversão é automática, o sistema transforma XAUT em USDT e, em seguida, na moeda local do estabelecimento. Tudo em segundos.
Há ainda uma função de arredondamento que captura o troco de cada compra e converte em XAUT. A ideia é criar acúmulo passivo de ouro a partir do consumo cotidiano algo parecido com os apps de microinvestimento populares no varejo americano, só que com lastro em metal em vez de ações fracionadas.
A Fasset oferece ainda contas multimoeda, transferências rápidas e off-ramp em moeda fiduciária local. Esse último ponto é crítico, sem rampa de saída eficiente, o cashback em ouro vira ativo travado. A plataforma processa US$ 32 bilhões em volume anualizado, com 95% atrelados a ativos do mundo real.
XAUT domina mercado de US$ 5,3 bilhões
O ouro tokenizado virou uma das categorias mais aquecidas em ativos do mundo real. O segmento já soma capitalização superior a US$ 5,3 bilhões, segundo dados consolidados pela própria Tether no comunicado oficial do lançamento. O XAUT lidera com mais de US$ 2,6 bilhões, à frente do PAXG, da Paxos.
A demanda por ouro digital cresce justamente onde a moeda local não inspira confiança. Mercados emergentes da Ásia e da África, base territorial da Fasset têm histórico de desvalorização cambial acelerada e controle de capital, o que empurra poupadores para ativos com lastro físico. O movimento ecoa o que já se vê com stablecoins de dólar nesses mesmos países.
Ardoino quer ouro como meio de troca
O CEO Paolo Ardoino resumiu a tese ao apresentar o produto. Para ele, o ouro foi historicamente reserva de valor, não meio de troca, e a parceria com a Fasset tenta mudar essa narrativa ligando ouro tokenizado a sistemas globais de pagamento. Mohammad Raafi Hossain, CEO da Fasset, falou em arco histórico de mil anos de confiança no metal e disse querer fazer do XAUT o token de ouro mais detido nos mercados emergentes.
Investidor brasileiro fica de fora por enquanto
O produto não chega ao Brasil no lançamento. A Fasset opera fora da jurisdição brasileira, e o cartão depende de KYC local nas regiões cobertas. Para o usuário daqui, o caso vira referência sobre o que pode chegar via exchanges nacionais modelos como o cartão da Lava com cashback em Bitcoin mostram que a infraestrutura Visa já aceita liquidação cripto também por aqui.
A movimentação se soma a uma corrida maior das bandeiras por trilhos com ativos tokenizados. A Mastercard ampliou recentemente o uso de stablecoins como USDC, PYUSD e RLUSD na liquidação de cartões. Com o XAUT no jogo, o cardápio de ativos aceitos na ponta do pagamento deixa de ser exclusivo das stablecoins de dólar.
