- Bitcoin caiu 24% no trimestre e virou o resultado.
- Nova regra contábil pode gerar perda de até US$ 7 bilhões no Q4.
- Prêmio das ações sobre o Bitcoin quase desapareceu.
A Strategy, empresa liderada por Michael Saylor, deve registrar um prejuízo bilionário no quarto trimestre. Isso ocorre porque a combinação entre a queda do Bitcoin e uma nova regra contábil mudou o resultado de forma abrupta.
Assim, o desempenho financeiro passou a refletir com mais força a volatilidade do mercado cripto.
Volatilidade do Bitcoin cobra seu preço
Segundo a Bloomberg, a empresa pode sair de um lucro de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre para uma perda multibilionária no quarto. Como resultado, o impacto preocupa investidores e reacende dúvidas sobre o modelo adotado.
A Strategy adotou a contabilidade a valor justo no primeiro trimestre. Na época, a mudança foi vista como um avanço em transparência. Entretanto, ela também ampliou a exposição direta às oscilações do Bitcoin.
No quarto trimestre, o Bitcoin caiu cerca de 24%. Por isso, a empresa precisa reconhecer perdas não realizadas imediatamente, antes, essas variações ficavam fora do resultado contábil.
Michael Saylor já afirmou que “a volatilidade do Bitcoin é uma característica, não um defeito”, agora, porém, essa mesma característica pesa contra o balanço trimestral.
De acordo com estimativas, a perda operacional pode chegar a US$ 7 bilhões, assim, o número se aproxima do limite inferior do guidance divulgado pela companhia.
Prêmio das ações entra em colapso
Além das perdas contábeis, outro fator chama a atenção do mercado, nesse sentido, o prêmio das ações da Strategy sobre seu valor em Bitcoin encolheu de forma significativa.
Durante anos, a empresa negociou acima do valor líquido dos ativos. Na prática, muitos investidores a tratavam como um ETF alavancado de Bitcoin. Contudo, esse cenário mudou.
Atualmente, o múltiplo mNAV está pouco acima de 1, isso indica que, hoje, o mercado quase não paga prêmio pelos Bitcoin mantidos pela companhia.
Além disso, o valor de mercado somado à dívida, cerca de US$ 61 bilhões, pode ficar abaixo do valor do estoque de Bitcoin. Esse movimento, vale destacar, não ocorria havia dois anos.
Diante disso, surgem dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de “alavancagem infinita”. O Bitcoin não gera fluxo de caixa. Além disso, a área de software contribui pouco para receitas recorrentes.
Para reduzir riscos, a Strategy reforçou o caixa em 1º de dezembro. Como medida preventiva, a empresa vendeu ações ordinárias para aumentar reservas e conter o avanço do FUD.
Conclusão
O caso da Strategy mostra como regras contábeis podem amplificar os ciclos do mercado cripto. De um lado, a transparência aumentou. Por outro, a volatilidade agora aparece com força no lucro.
No curto prazo, o foco estará na capacidade de honrar dívidas sem vender Bitcoin. Já no longo prazo, o mercado avalia se o modelo ainda justifica confiança dos investidores.

