Varejo encolhe a 70% do mercado cripto e expõe XRP e Bitcoin

  • Participação do varejo no mercado cripto cai de 90% para 70%
  • Coinbase perde 34% no ano com receita 31% menor no 1º trimestre
  • BlackRock capta US$ 132 bilhões em ETFs no melhor início da gestora

A composição do mercado cripto está mudando, e XRP e Bitcoin sentem o efeito antes de qualquer outro ativo. Investidores de varejo, que respondiam por 90% do mercado de ativos digitais, agora representam apenas 70%, segundo tese apresentada nesta sexta-feira na Bloomberg Tech, em São Francisco. A fatia institucional saltou de 10% para algo entre 20% e 30%.

O recuo do varejo ajuda a explicar a queda do Bitcoin dos US$ 100 mil em outubro de 2025 para os atuais US$ 61.815, equivalentes a R$ 321,5 mil. Não houve pânico generalizado, houve troca de mãos. O dinheiro novo entra via ETF regulado, não mais via app de exchange retail.

O XRP ilustra bem essa transição. O token da Ripple está cotado a US$ 1,12 (R$ 5,84) e acumula queda de 40% no ano, ritmo pior que os 31% perdidos pelo Bitcoin no mesmo período. Tokens dependentes de fluxo de varejo sofrem mais quando a euforia retail evapora, porque os fluxos de ETF se concentraram em BTC e ETH.

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Coinbase perde receita com volume em queda

A Coinbase (COIN) é a primeira vítima do esfriamento do varejo. As ações caem 34% no ano e 39% em 12 meses, negociada em US$ 151. A receita do primeiro trimestre de 2026 ficou em US$ 1,41 bilhão, recuo de 31% na comparação anual e abaixo do consenso de US$ 1,48 bilhão.

No próprio documento entregue à SEC, a empresa admitiu que capitalização total e volumes de negociação caíram mais de 20% no trimestre. A resposta veio rápida, corte de 14% do quadro de funcionários e meta de US$ 500 milhões em economia anualizada. No Polymarket, traders atribuem apenas 26% de probabilidade de a ação voltar a US$ 190 até julho.

Para o investidor brasileiro, o sinal é claro. Exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e a própria Binance Brasil dependem da mesma dinâmica de varejo. A queda do volume global tende a se replicar aqui, com pressão sobre receita de trading e spread. O comportamento do varejo asiático já mostra esse padrão em mercados como a Coreia do Sul.

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BlackRock captura US$ 132 bilhões em ETFs

Do outro lado da equação, a BlackRock (BLK) acumula alta de 1% em 12 meses, performance descolada do setor cripto. Os ETFs iShares registraram entrada líquida recorde de US$ 132 bilhões no primeiro trimestre, e o segmento de ativos digitais gerou US$ 42 milhões de receita.

O CEO Laurence Fink classificou o período como um dos melhores inícios de ano da história da gestora, conforme comunicado oficial da empresa. A gigante está absorvendo justamente os ativos que o varejo dominava só que agora dentro de invólucros regulados, com taxa de administração e exposição via corretora tradicional.

Strategy acumula prejuízo de US$ 12 bilhões

A Strategy (MSTR), de Michael Saylor, virou termômetro do estresse. O papel cai 68% em 12 meses. O resultado do quarto trimestre de 2025 mostrou prejuízo líquido de US$ 12,44 bilhões, puxado por uma marcação negativa de US$ 17,44 bilhões sobre as 713.502 unidades de BTC em tesouraria.

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O Reddit reagiu mal quando a companhia vendeu US$ 2,5 milhões em Bitcoin, primeira venda desde 2022. Ainda assim, o Polymarket precifica apenas 9% de probabilidade de margin call em 2026. Saylor, por sua vez, segue alimentando a base com novos manifestos, conforme já analisamos no caso do manifesto de tesouraria.

Mastercard acelera stablecoins com BVNK

A Mastercard (MA) tenta antecipar a próxima fronteira institucional. O CEO Michael Miebach confirmou a compra da BVNK a terceira maior aquisição da história da bandeira como porta de entrada para soluções em stablecoins. O movimento sinaliza onde o capital institucional pretende operar, trilhos regulados de pagamento, não mais especulação de varejo.

Para quem mantém posições em XRP ou Bitcoin, a leitura é dupla. A adoção institucional tende a suavizar a volatilidade no médio prazo, mas remove o gatilho clássico de altas verticais movidas por hype retail. O XRP segue pressionado enquanto o Nasdaq, via QQQ, sobe 16,5% no ano sem arrastar o Bitcoin junto.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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