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A fábrica de KYC montada para enganar exchanges cripto

Por Luciano Rodrigues
Atualizado em: 30/03/2026
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Golpe cripto em Hong Kong Vítimas perdem US$ 4,7 milhões em fraudes digitais
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O processo parecia simples. Um usuário envia documentos, grava um vídeo curto e aguarda a aprovação. No entanto, por trás dessa rotina, cresce uma indústria paralela que transforma o KYC em mercadoria.

Relatos de usuários mostram um cenário comum. Após enviar passaporte, selfie e validações biométricas, a conta permanece bloqueada por dias. Em alguns casos, o acesso sequer é permitido, com restrições baseadas em localização.

Esse tipo de barreira reforça o papel central do KYC no setor cripto. O procedimento, conhecido como “Know Your Customer”, tornou-se essencial para cumprir exigências regulatórias e combater fraudes.

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Nos últimos anos, grandes exchanges passaram a terceirizar essa etapa para empresas especializadas. Plataformas como Sumsub e Jumio oferecem sistemas globais de verificação, com custos que podem chegar a milhões de dólares por ano.

Apesar do investimento, o sistema apresenta falhas estruturais. Enquanto empresas aumentam o rigor, o mercado paralelo evolui com rapidez e escala.

Mercado paralelo cria atalhos para driblar verificação nas exchanges cripto

Investigações recentes apontam a existência de uma cadeia organizada dedicada a contornar sistemas de KYC. O acesso a contas verificadas pode custar cerca de 20 USDT, incluindo documentos, reconhecimento facial e comprovantes de residência.

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Relatórios de segurança mostram a dimensão do problema. Uma análise da CertiK identificou mais de 50 mil participantes em mercados clandestinos especializados nesse tipo de serviço. Esses grupos operam principalmente em regiões da Ásia.

Já a ZeroFox identificou mais de 1 milhão de anúncios oferecendo contas verificadas em fóruns e aplicativos de mensagens. Os preços variam entre 150 e 500 dólares, dependendo da plataforma e do nível de verificação.

Em muitos casos, os dados utilizados pertencem a pessoas reais. Uma investigação da CoinDesk revelou contas com nome, endereço e até número de segurança social de cidadãos que desconheciam o uso de suas identidades .

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Além disso, a evolução tecnológica também ampliou o alcance dessas práticas. Segundo a Sumsub, ataques com deepfake cresceram mais de 2000% nos últimos três anos e já representam uma parcela relevante das tentativas de fraude .

Cadeia de fornecimento envolve múltiplos níveis

exchanges cripto fraude

A estrutura desse mercado funciona em camadas. Na base estão pessoas recrutadas globalmente para realizar verificações em troca de pequenas quantias. Em regiões como Sudeste Asiático e África, participantes recebem poucos dólares por sessão.

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No nível intermediário, operadores organizam o processo. Eles conectam compradores a indivíduos dispostos a realizar o KYC, muitas vezes com instruções detalhadas para passar pelos sistemas de verificação.

Dados on-chain mostram a escala dessa atividade. Um único intermediário analisado movimentou mais de 59 mil USDT em cerca de 600 transações ao longo de dois anos, com recursos rapidamente transferidos para exchanges centralizadas .

Assim, no topo da cadeia, surgem clientes que utilizam essas contas para acessar produtos restritos, participar de ofertas ou contornar limitações geográficas. Em alguns casos, equipes inteiras compram múltiplas contas para ampliar ganhos em lançamentos de tokens.

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O modelo também incorpora automação. Com ferramentas de inteligência artificial, parte do processo já ocorre de forma semi-automatizada, reduzindo custos e aumentando a escala.

Especialistas apontam que exchanges e plataformas financeiras concentram mais de 78% dos ataques de KYC, tornando-se o principal alvo desse tipo de fraude .

Sistema enfrenta desafio estrutural

A expansão desse mercado levanta questionamentos sobre a eficácia do KYC. Embora a prática continue sendo um requisito regulatório, sua implementação enfrenta limitações diante de incentivos econômicos e avanços tecnológicos.

Além disso, para plataformas, o desafio envolve equilibrar segurança, custo e experiência do usuário. Sistemas mais rígidos reduzem fraudes, mas também elevam barreiras de entrada.

Para usuários, o cenário é ambíguo. Enquanto alguns recorrem a soluções paralelas para acessar serviços, outros têm seus dados utilizados sem consentimento.

Assim, o resultado é um sistema que permanece funcional, mas vulnerável. À medida que o mercado cripto cresce, a disputa entre controle e evasão tende a se intensificar.

Nesse contexto, o KYC deixa de ser apenas uma ferramenta de compliance. Ele se torna um ponto crítico de tensão entre regulação, tecnologia e comportamento econômico dentro do ecossistema digital.

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TagsCriptoativosCriptomoedasGolpes
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Luciano Rodrigues
PorLuciano Rodrigues
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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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