- Um terço do Bitcoin pode sofrer risco quântico futuro.
- Endereços expostos incluem grandes carteiras da Binance.
- Propostas pós-quânticas já buscam proteger assinaturas do BTC
CUm novo levantamento acendeu um sinal de alerta no ecossistema do Bitcoin. Ele mostrou que 33% de todo o fornecimento já pode sofrer impacto da computação quântica no futuro. O estudo do Project Eleven identificou que cerca de 6,78 milhões de BTC, avaliados em aproximadamente US$ 626 bilhões, estão associados a endereços com chave pública exposta. Esta condição os coloca em vulnerabilidade teórica caso computadores quânticos avancem mais rapidamente do que o esperado.
Os pesquisadores explicaram que a ameaça se concentra em endereços que já revelaram suas chaves públicas na rede. Essa etapa faz parte do funcionamento normal do Bitcoin, mas abre a possibilidade de que uma máquina quântica, no futuro, consiga reconstruir a chave privada por meio de técnicas capazes de quebrar o algoritmo ECDSA, usado para assinar transações.
Entre os endereços expostos, o levantamento destacou volumes ligados a grandes exchanges globais. A Binance, por exemplo, aparece com uma carteira P2SH reutilizada contendo 248.597 BTC. Além disso, há outra com 165.542 BTC, também colocada em risco pela mesma prática. Esses casos chamaram atenção. Refletem como até instituições que operam com altos padrões de segurança podem deixar milhares de bitcoins vulneráveis apenas pela reutilização de scripts.
Bitcoin em perigo
Apesar da amplitude dos números, especialistas reforçam que não existe risco imediato. A computação quântica atual está muito distante de possuir a capacidade necessária para quebrar a criptografia usada pelo Bitcoin. No entanto, o estudo permite dimensionar o tamanho do impacto caso essa tecnologia avance de forma acelerada e se torne capaz de executar tais ataques.
David Duong, chefe de pesquisa de investimentos da Coinbase, afirmou que já existem caminhos técnicos considerados “promissores” para preparar a rede para esse cenário. Ele citou a proposta BIP-360, que oferece mecanismos para manter chaves públicas fora da cadeia e possibilitar a adoção futura de assinaturas pós-quânticas. Isso reduzirá drasticamente o vetor de ataque.
Duong mencionou também a BIP-347, que sugere o uso de assinaturas de único uso baseadas em hashes. Essas estruturas impediriam o reaproveitamento de chaves públicas, o que tornaria o processo de quebra criptográfica muito mais difícil, mesmo para máquinas quânticas altamente avançadas.
Além das melhorias técnicas, o executivo destacou práticas imediatas que usuários e empresas podem adotar. Como evitar reutilizar endereços, mover UTXOs expostos para destinos únicos e desenvolver procedimentos internos para facilitar uma eventual migração para sistemas pós-quânticos. Ele argumentou que essas medidas funcionam como camadas extras de proteção. Isso ocorre enquanto a comunidade trabalha em soluções estruturais para o protocolo.
Embora Duong não veja a computação quântica como ameaça iminente, ele defendeu que a comunidade permaneça vigilante. Para ele, preparar desde agora rotas de transição fortalece o ecossistema. Além disso, evita reações emergenciais quando a tecnologia quântica atingir maturidade suficiente para representar um risco real.


