- Bitcoin Core integra Cluster Mempool no código principal
- Nova arquitetura melhora organização das transações pendentes
- Atualização 31.0 deve chegar no segundo semestre de 2026
O desenvolvimento do software Bitcoin Core avançou mais um passo importante nesta semana. Os programadores responsáveis pelo projeto incorporaram oficialmente o Cluster Mempool ao código principal, uma mudança estrutural que deve integrar a futura versão 31.0 do sistema.
A atualização entrou no repositório principal após o merge do Pull Request #34616, liderado pelo desenvolvedor Suhas Daftuar. Com essa integração, o projeto inicia uma nova etapa na forma como os nós da rede organizam e processam transações pendentes.
O objetivo da mudança é tornar a gestão da memória dos nós mais eficiente. Para isso, o software passa a utilizar uma estrutura de dados baseada em grupos de transações, substituindo o modelo atual que acompanha relações individuais entre operações.
Na prática, a atualização altera a forma como os nós analisam transações que ainda não foram confirmadas na blockchain.
Nova arquitetura reorganiza processamento das transações
Hoje, o Bitcoin Core utiliza um sistema que rastreia relações de “ancestrais e descendentes” entre transações. Esse método impõe limites técnicos claros, como o máximo de 25 transações interligadas dentro de uma mesma cadeia.
Essa limitação pode afetar operações mais complexas, especialmente em soluções de segunda camada ou protocolos que dependem de múltiplas transações vinculadas.
Com o Cluster Mempool, o software abandona essa lógica de contagem rígida. A nova arquitetura passa a organizar as transações relacionadas em clusters independentes, permitindo que o nó analise conjuntos completos de operações de forma mais eficiente.
Assim, essa estrutura amplia a capacidade do sistema de lidar com fluxos mais complexos de transações, sem as restrições impostas pelo modelo anterior.
Além disso, a atualização introduz um algoritmo de linearização. Esse mecanismo reorganiza as transações dentro de cada cluster para priorizar aquelas que oferecem maior retorno em taxas para os mineradores.
Esse processo melhora a eficiência do mempool e também facilita o cálculo de comissões dentro da rede.
Além disso, para os usuários e desenvolvedores de carteiras digitais, a mudança traz um benefício direto. O novo motor de linearização permite estimar com mais precisão as taxas necessárias para confirmar uma transação.
Isso reduz erros em mecanismos como RBF (Replace-by-Fee) e CPFP (Child Pays For Parent), estratégias utilizadas para acelerar confirmações ou ajustar taxas já enviadas.
Com a nova arquitetura, as carteiras conseguem calcular valores de comissão com maior exatidão, diminuindo o risco de pagar taxas acima do necessário.
Lançamento no Bitcoin deve ocorrer no segundo semestre de 2026
Apesar da integração no código principal, a versão Bitcoin Core 31.0 ainda não tem lançamento imediato previsto. A expectativa é que ela fique pronta durante o segundo semestre de 2026, seguindo o ciclo tradicional de desenvolvimento do projeto.
Os desenvolvedores mantêm uma abordagem cautelosa no processo de atualização. Nos últimos ciclos do software, o projeto enfrentou desafios que reforçaram a importância de testes extensivos antes da distribuição pública.
Durante o desenvolvimento da versão 30, por exemplo, um erro afetou a gestão de transações em determinadas carteiras. O problema levou inclusive à remoção da opção de download dessa versão no portal oficial Bitcoin.org.
De acordo com os desenvolvedores, o bug poderia causar falhas no processamento de transações e, em situações específicas, até perda de fundos.
Mesmo com o lançamento posterior da versão 30.1, o site oficial continua recomendando a versão 28.1 como principal opção de download para usuários.
Essa versão foi lançada em janeiro de 2025 e já acumula mais de um ano de funcionamento estável na rede. O software roda atualmente em milhares de nós sem registro de falhas críticas.
Assim, a prática de recomendar versões amplamente testadas é comum no ecossistema do Bitcoin. O objetivo é garantir que novos usuários e operadores de full nodes utilizem software cuja estabilidade já tenha sido comprovada em produção.


